Apoena Augusto

Para quem consegue enxergar o lado B do Marketing. E ainda se divertir com isso.

25.6.06

Liga pra mãe!

O que é que se deve pensar de uma empresa que invade sua privacidade em pleno e sagrado sábado pela manhã, dia que para quem pode, é reservado para se dormir mais um pouco, pegar a estrada para almoçar uma galinha caipira no caminho, ir à praia, curtir uma praça só ou acompanhado ou papear à pérgula de uma piscina, enfim, relaxar do estresse do dia a dia, para oferecer um cartão de crédito nem de longe planejado ou anunciar a promoção de um produto qualquer?

Em um sabadão, vá lá, o provável consumidor está tranquilo e com mais tempo para ouvir propostas. Até faz sentido.

Mas e se essa perturbação on line mostra o ar de sua graça bem na hora do jogo do Brasil na Copa? Pior, querendo uma resposta à oferta do suposto futuro cliente por meio de uma gravação com aquela voz mecânica, uniforme, padronizada, pasteurizada.

Pois Luiz Alberto Marinho, colunista do site bluebus.com.br, foi mais uma vítima do que vem sendo chamado pelos especialistas de "marketing de interrupção", aquele que aparece bem na hora em que menos se quer saber de comprar qualquer coisa e, para completar, ainda atrapalha o divertimento.

A operadora de celular Claro, que ainda não baixou por estas bandas do Norte, foi a protagonista da ação que deixou o autor desta coluna desconfiado sobre o resultado de um trabalho como esse, que pode ser chamado, sem ser radical no conceito, como uma iniciativa de "marketing do contra-senso".

O escorregão, por assim dizer, da companhia de telefonia pode até ser justificado como uma "falha do sistema", mas, no final das contas, alguém deveria ter "explicado" ao computador que horário de jogo do Brasil na maior competição de futebol do mundo é tão sagrado quanto a adubada maniçoba e o pato no tucupi servidos no almoço do Círio de Nazaré.

Mala Direta

Essa cola

Gracinha que corre mais escancarada que grito de gol do Brasil na noite de Belém:

- "Você conhece a fulana? É Pepsi!".

- "Por quê?".

- "Porque ela só dá, dá, dá".

Recall é isso aí.

Maldito erre

Comerciante que dirigia um automóvel roubado na rodovia Régis Bittencourt, sentido Paraná, foi parado, preso e autuado em flagrante por uso de documento falso e receptação de carro roubado por policiais rodoviários, que desconfiaram quando leram nas placas do veículo o nome da capital de Santa Catarina com um erre no lugar do ele: "Frorianópolis".

Há quem ache que o crime mais grave foi contra a língua pátria. Merecia pena máxima. E um dicionário para ser digerido durante o cumprimento da pena.

Posicionamento na cabeça

Na área nobre do bairro paulistano do Itaim Bibi, um cabeleireiro deixa bem claro para quem pretende vender seus serviços pelo próprio nome que batiza o salão: A+.

Para bom entendedor, uma letra e um sinal bastam.

criado por apoena.augusto    20:31 — Arquivado em: Sem categoria

18.6.06

Varig, Varig, Varig…

Há muitas empresas que, seja pela sua própria opção produtiva (fazem parafusos para dobradiças de guarda-roupas, por exemplo), passam pela vida das pessoas sem cheirar nem feder, despercebidas, em resumo.

Há outras que, ao contrário, como um amor arrebatador, atropelam a razão, fincam bandeira nas insondáveis profundezas da mente e, de lá, ninguém as tira. A não ser que elas mesmas façam isso. E só as grandes marcas, que nem sempre pertencem às empresas grandes, conseguem essa proeza.

Além dos tão clássicos quanto manjados exemplos multinacionais da literatura de Marketing, Nike e Coca-Cola, já exaustivamente citados e estudados, há vários bons negócios nacionais que conseguiram atingir o que pode ser considerado o firmamento das marcas. E a ameaçada Varig está entre eles.

Nem uma dívida que supera os sete bilhões, 15 vôos cancelados em média diariamente na última semana - o que irremediavelmente adia os compromissos de centenas de pessoas -, e o risco de ter que devolver várias de suas aeronaves à Boing por falta de pagamento fazem com que a sociedade deixe de ser solidária à companhia aérea.

É como se alguém pedisse dinheiro emprestado ao melhor amigo, não pagasse, faltasse ao casamento da filha única dele sem sequer mandar um cartão de desculpas e ainda fosse perdoado por isso.

O que parece ser um filme com o título "Aperte o cinto que o piloto sumiu" somente ilustra o quanto uma marca forte pode se manter viva mesmo diante de tantas adversidades. Solidez assim só se constrói com muita competência e investimento na imagem. Prova disso é que é possível contar nos dedos das mãos as assinaturas comerciais que são tão lembradas quanto o sonoro "Varig, Varig, Varig". Pode-se dizer sem risco de cair das nuvens que o jingle, digamos assim, está acima das camadas de turbulência.

Mala Direta

Engasgou

Leitora complementa a opinião da coluna sobre os intragáveis filmes "Dá, dá, dá", da Pepsi, dizendo: "Será que essa agência não tinha nada mais criativo para fazer com a grana toda que deve ter custado essa campanha?". Vai ver até tinha, só não fez.

De passe em passe…

Mãe Delamare, nossa versão papa-chibé da Mãe Diná, incorporou uma entidade varejista e resolveu fazer promoção junto aos necessitados de paz espiritual. Seus tradicionais "santinhos", além de vender os já conhecidos serviços, agora também oferecem "passes" grátis todas as segundas e sextas-feiras. Daqui a pouco a concorrência vai copiar. Espera só.

Candidato ao banco

Assim como os milhões de torcedores brasileiros espalhados nos quatro cantos do planeta, este colunista também está ligado nas atuações da seleção canarinho. Por tudo que tem mostrado o craque-moleque Robinho, Ronaldo tem a maior chance de continuar sendo o "fenômeno". No banco.

criado por apoena.augusto    20:03 — Arquivado em: Sem categoria

11.6.06

Enxadada no pé

  

   Em mais um capítulo da novela "Os sem-noção", militantes do MLST - Movimento Libertador dos Sem-Terra, grupo dissidente do MST, ao invadir e destruir dependências da Câmara dos Deputados, como o Salão Verde (nome emblemático), promoveram o que pode ser classificado como a maior enxadada no próprio pé que uma organização (?) que briga pelo legítimo direito de ter  um chão para produzir poderia dar.

   Além do saldo negativo - uma pessoa quase morreu, vinte ficaram feridas e mais de quinhentas foram presas (a maioria já está solta novamente) -, para a população, ainda sensibilizada por conta das recentes e aterradoras ações executadas em São Paulo pelo PCC, a sensação no céu, na terra e no mar é de que não se pode dar credibilidade a quem usa de truculência para conseguir o que quer que seja - do torrão a um inofensivo pirulito. Fora da lei, seja quem for, perde a razão. Isso se chama civilidade.

   Agora, com a imagem mais queimada que lavoura nordestina em tempos de seca, os até então desconhecidos arruaceiros do MLST e seu líder, Bruno Maranhão, conseguiram a proeza de não conseguir nada além de semear antipatia entre quem poderia até ajudar de alguma maneira, dando-lhe o seu aval, velado ou explícito: a sociedade, ou melhor, aquilo que se convencionou chamar de "movimentos sociais".

   Só resta torcer para que, neste caso, para não incendiar ainda mais os ânimos dos agitadores e seus padrinhos, a "negociação" não tome o lugar da punição. Mas que ela, a "negociação", está em curso, está.

Mala Direta

Gol de placa

A promoção da Casas Bahia onde, caso o Brasil traga o caneco, com apenas mais um Real o consumidor leva outra TV, atiçou o velho, mas nunca adormecido, jeitinho brasileiro.

Mil meu com mil teu

Funciona assim: o aparelho é comprado em "sociedade" por amigos. 50% para cada um. Se Parreira e sua turma de craques nos derem o hexa, os dois ficam com TVs novinhas em folha. Teve gente em Belém que chegou a acionar os amigos no Sudeste só para participar da promoção.

Igualzinho

Camelôs do Rio de Janeiro, sempre antenados na moda de ricos e famosos, já estão vendendo a versão "genérica" dos brincos de brilhante de Ronaldinho Gaúcho por apenas R$ 15. "Tipo brilhante", garante o vendedor.

Tempos bicudos

Na festa promovida no último final de semana, a aparelhagem Tupinambá, aquela do "faz o T", em ritmo de São João, instalou um "pau de sebo" na pista de dança. Até aí, tudo bem. O detalhe ficou por conta do prêmio que estava no alto do tronco: um salário mínimo.

Não se sabe se foi por isso, mas quem estave lá, garante que a balada bombou.

Quem é VIVO sempre aparece

Após mais de três anos vendendo conforto e facilidade, o redator desta coluna trocou de endereço profissional. Agora está dizendo "alô" para o Marketing da telefonia celular local.

Figa

Para que a seleção dê um show de bola amanhã, basta torcer para que a urucubaca de Ronaldo "Fenômeno" não seja contagiosa. Só isso.

criado por apoena.augusto    20:19 — Arquivado em: Sem categoria

4.6.06

“Ai, mizifio!”

Para eleger Lula presidente, Duda Mendonça, aquele publicitário que nas horas vagas gasta seu precioso tempo deliciando-se com sangue galináceo, deve ter encomendado um "trabalho" num terreiro de umbanda da Bahia. A mandinga, ao que parece, não teve seu prazo de validade vencido, apesar de ele não fazer mais parte da equipe lulista.

Só pode ser essa a explicação – sobrenatural - para os resultados da última pesquisa Vox Populi, entre outras tantas publicadas recentemente em veículos de comunicação nacionais. Em uma das três simulações do estudo, caso as eleições fossem hoje, o atual presidente levaria fácil no primeiro turno com 47% dos votos válidos, enquanto o tucano Geraldo Alckmin amargaria insuficientes 23%. A diferença entre o primeiro e o terceiro colocado é tão grande que nem vale a pena citar.

Depois de quase três anos e meio de muitos escândalos, várias falcatruas, dezenas de mensaleiros e a convicção irrefutável de que não há absolutamente nenhuma diferença entre o Partido dos Trabalhadores e qualquer outra legenda partidária, fica difícil entender como Lula ainda consegue um índice de aprovação tão alto.

Mas, pensando de olho nos números, não é tão difícil assim. O detalhamento da pesquisa mostrou que Lula vence Alckmin por 57% a 18% entre os eleitores com instrução escolar até a quarta série do ensino fundamental e por 62% a 9% entre aqueles que têm renda familiar de até um salário mínimo.

Isso se constata também nas regiões brasileiras mais pobres. Ou seja, quanto menor a renda, infelizmente, mais sucesso fazem os projetos do tipo Bolsa Família, com forte apelo clientelista e assistencialista. Nos chamados bolsões de pobreza, principalmente no Norte e no Nordeste do país, "Lulinha Paz e Amor", que está de volta, pelo menos nesta fase, faz a festa. E que festa!

Como bruxaria de mãe preta só se combate com o mesmo remédio, em dose cavalar, que tal chamar para coordenar a companha do voto útil para Alckmin o também baiano Nizan Guanaes, que acaba de se submeter a uma cirurgia de redução de estômago. Lipoaspirado por dentro e por fora, fica mais fácil engolir sapos. Barbudos, naturalmente.

 

Mala direta

Dá, dá, deu!

Quem está acostumado a ver as superproduções da Pepsi deve ter ficado decepcionado com o intragável "Dá, dá, dá". Ô troço chato, né não?

Show de bola

Por outro lado, o jingle da Copa da Yamada dá o seu recado em grande estilo. Está no mesmo nível das melhores produções nacionais.

Pelas beiradas

A Honda até que tentou uma vez, mas usando o mesmo conceito, a Sundown fez muito melhor ao colocar o "proprietário" de uma moto recém adquirida, de capacete em mãos, se despedindo de seus "amigos" pedestres, dentro de um ônibus. Com produtos mais baratos, aos pouquinhos, o patinho feio do setor está começando a criar rodas.

criado por apoena.augusto    20:16 — Arquivado em: Sem categoria

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