Apoena Augusto

Para quem consegue enxergar o lado B do Marketing. E ainda se divertir com isso.

31.7.06

Tá tudo patrocinado!

Há quem acredite mundo afora que a propaganda avançou tanto, diversificou-se de tal maneira que não tem mais o que inventar para divulgar suas mensagens. Quase todos os lugares se tornaram alvos efetivos ou, no mínimo, potenciais para estampar um informe publicitário. Para isso basta dispor de um espaço em branco ou um pouco de silêncio. Ou não.

De elevadores a clubes de campo, passando por prédios, paradas de ônibus e, mais recentemente, o próprio corpo, toda superfície, plana ou não, sólida ou não, tem tudo pra ser uma excelente oportunidade para tentar seduzir a atenção de incautos consumidores.

Nem nosso sempre bem-vindo dinheirinho ficou de fora dos afiados olhos dos comunicólogos. Ou a expressão “Deus seja louvado”, por sua conotação religiosa, não pode ser entendida como propaganda?

E foi acreditando nisso que Rafael Mantarro de Carvalho, aluno do curso de Publicidade e Propaganda da ECA-USP, apresentou como projeto de conclusão de curso um trabalho que, na melhor das hipóteses, pode ser visto como uma provocação ao ímpeto desenfreado de aplicação de marca em tudo que aparece à frente: “O meio dinheiro: um estudo do papel moeda como mídia”, é o título.

No estudo-metáfora, Rafael infere o que, para ele, seria “a suprema invasão da publicidade”: notas de cem Reais, por exemplo, trariam mensagens de produtos sofisticados como bolsas Luis Vuitton ou canetas Mont Blanc.
Do mesmo modo, para os menos endinheirados, ou a maioria dos brasileiros, caberiam mensagens de produtos populares em notas de um Real. Algo do tipo: “Com esta cédula, no Ver-o-Peso, você compra um litro de farinha baguda na barraca do Raimundo, box 23”.

Rafael também estudou o número de exposições a que cada consumidor estaria sujeito nas cédulas patrocinadas e, ao final, não se sabe se num exercício de futurologia, avisa que se um dia isso for permitido, quer dizer, anúncios em ícones nacionais, entre eles, a bandeira ou o belo hino nacional, teremos ascendido ao tempo em que a publicidade atropelou todos os valores que norteiam nossas relações com o admirável mundo dos negócios em nome do consumo.

Ah se Marcos Valério, o afortunado multiplicador de dinheiro do mensalão, ficar sabendo disso.

Mala direta

Aquamídia

E por falar em mídia, pesquisadores japoneses estão trabalhando em uma tecnologia para escrever e desenhar na água. Por enquanto, o invento, batizado de Amoeba, não confundir com ameba, é capaz de mostrar apenas o alfabeto romano e alguns caracteres kanji da língua chinesa adotados no Japão, mas daqui a pouco…

Cigarro esponja

Pesquisa com ratos de laboratório conduzida por cientistas texanos sugere que fumar cigarro enquanto se consome bebida alcóolica pode reduzir os efeitos da embriaguez. Em tempos de combate intenso ao fumo (e ao álcool), nada mais inoportuno. Melhor dizendo, que porre essa história.

Solidão, dá um tempo…

As mulheres, ao menos as australianas, não têm mais a desculpa de dizer que se sentem sozinhas ao dirigir. Acaba de ser lançado por uma companhia britânica um acessório para as motoristas: o homem inflável. Um botão e pronto, em 60 segundos ele está todo inflado, simulando a presença masculina no banco do passageiro. As feministas devem torcer o nariz para a novidade.
Aliás, qualquer dia desses, os de verdade não servirão mais para nada mesmo.

criado por apoena.augusto    13:53 — Arquivado em: Sem categoria

24.7.06

Proposta Indigesta

Quem não balançaria tendo de cima do colo uma astronômica proposta de compra de 3,7 bilhões de reais, ou o equivalente a R$ 27,88 por ação?

Quem pensou em Perdigão, acertou em cheio. Pois essa foi a quantia recusada pela empresa brasileira, uma das maiores companhias de alimentos da América Latina, com faturamento líquido anual de R$ 4,9 bilhões, 72 anos de mercado, mais de 30 mil empregados e voraz exportadora para mais de 100 países de quase todos os continentes.

A Sadia, com a mordida no controle da concorrente, pretendia abocanhar nada menos do que 25% do mercado nacional de frangos e suínos e se tornar a 4ª maior exportadora brasileira de todos os tempos.

A oferta, por si só, bastaria como declaração pública de que os movimentos estratégicos até então adotados pela concorrente foram acertados. No entanto, a Perdigão não só recusou como se aproveitou da bilionária proposta de compra da Sadia para veicular em vários jornais um genial anúncio de oportunidade criado pela Y&R.

Na peça, também estampada no site da empresa (www.perdigao.com.br), um texto com o título “Eu amo a Perdigão” cutuca: “Que a Perdigão está crescendo num ritmo acelerado todo mundo já sabia. Que a qualidade dos produtos Perdigão é cada vez mais reconhecida pelos consumidores, também. O que ninguém sabia é que até a Sadia percebeu isso. Parabéns ao nosso concorrente por concluir o que todo mundo sabe. Perdigão. Todo mundo adora. Até o concorrente”.

O anúncio, publicado logo após a segunda oferta em que o valor de compra foi elevado para R$ 29 por ação, talvez tenha sido uma das causas da batida em retirada da gigante de embutidos que, em apenas 15 minutos, novamente, recebeu um sonoro e indigesto “não”, segundo declarou Luiz Murat, Diretor de Finanças e Relações com Investidores da Sadia.

Da próxima vez que for às compras, talvez a Sadia seja mais cautelosa em suas ofertas para não ter outra indisposição à mesa dos negócios de comidas.

Mala direta

Torcida silenciosa
O Hamburgo, clube alemão da primeira divisão, planeja construir ao lado da sua sede um estádio de futebol, digamos, diferente. O gramado, ao invés de palco de grandes jogos, será um cemitério para torcedores que, nem na hora da morte, querem ficar longe de seu time do coração.

Vá com Deus, mas deixe o meu
Pela bagatela de 8.000 euros, o equivalente a mais de 22 mil reais, o candidato a presunto adquire o direito de torcer direto do além por 25 anos. Se quiser levar um amigo ou a esposa, por exemplo, a cova dupla sai por 12.500. Há ainda uma versão “popular” por 2.500, caso o torcedor não se importe em virar cinza e “viver” a eternidade em um pote. Tá aí uma boa jogada para Remo e Payssandu, que andam de pires na mão, tirarem a barriga ou o caixa da miséria.

Pá na mão
A Volvo, pegando carona no filme “Piratas do Caribe – o baú da morte”, estrelado pelo esquisito Jhonny Depp, lançou uma promoção que vai dar o que cavar: enterrou em algum lugar do planeta um Volvo XC90 de oito cilindros que custa nada menos do que 80 mil dólares. Quem quiser participar, passa em uma concessionária, pega um mapa e se cadastra no site para receber pistas. Bom passatempo para quem não tem o que fazer ou está de férias.

criado por apoena.augusto    0:54 — Arquivado em: Sem categoria

16.7.06

Deus seja louvado!

O gigante Brasil apesar de tudo que vem acontecendo de gravíssimo ultimamente, de sanguessugas a crimes organizados, felizmente, também é um país empreendedor. No lado positivo da moeda verde-amarela, centenas de idéias de novos negócios nascem, crescem e se firmam ou vão cevar as estatísticas dos fracassos, já que isso faz parte do jogo, no que parece ser um movimento natural dentro da eterna, e saudável, vontade das pessoas de ser donas do seu próprio nariz.

O diabo é que, de acordo com o Sebrae nacional, dos projetos de empresas que conseguem sair do papel e ingressar no mercado, 29% fecham as portas antes de completar 12 meses e 56% simplesmente não chegam ao quinto ano de vida.

Mas como brasileiro – ô raça! - não desiste assim fácil e isso não é lenda, qualquer idéia pode ser uma oportunidade de negócio, por mais exótica ou safadinha que seja. O pastor mineiro Omar Silva da Costa, por exemplo, oferece por meio do site www.cursodepastor.com.br, e por apenas R$ 450, um curso completo de "Administração Eclesiástica".

Em módulos como "Legislação da Prática Religiosa" e "Como Convencer os Fiéis a Pagar o Dízimo", o aspirante a pastor é instruído pelo sabido Osmar sobre técnicas de como montar projetos para "multiplicar a quantidade de membros, templos e caixa da igreja a cada 90 dias".

Para quem já atravessou a luz e passou para um plano superior, mas ainda não está satisfeito, há como opções outros 17 módulos, dentre eles: "Bacharelado em Teologia Eclesiástica", "Mestrado em Bíblia" e "Doutorado em Divindade" que custam, respectivamente, R$ 750, R$ 1.050 e R$ 1.350. Duram 90 dias e dão direito à carteirinha e diploma.

E esse curso do pastor Osmar não é o único. O SBTe – Seminário Brasileiro de Teologia, cujo nome ainda vai acabar dando dor de cabeça a um tal de Abravanel, também oferece aulas de "formação de pastor". Na apostila, uma frase dá as bênçãos do conteúdo: "A Igreja é uma empresa, e uma empresa difícil de ser conduzida, porque seu estoque são almas".

Lá também pode ser encontrada uma lista de atitudes que devem ser assumidas pelo pastor antes de abrir uma igreja. Uma delas é "estudar a região e o público-alvo" e, se o local for de baixa renda, "ajudam a atrair gente a distribuição de lanches e sorteio de cestas básicas, além de sessões de exorcismo".

Assim como qualquer profissão, o Marketing também tem seu lado obscuro, por assim dizer, aquele que não se conta nem em confessionário, quando ajuda a enriquecer quem, inescrupulosamente, se aproveita da ingenuidade e fé alheias.

Mala direta

Gêmeos


O boneco-mascote do Pan 2007, lançado na semana passada, já começou a ser malhado. Principalmente pela falta de originalidade, pois a semelhança entre ele e o Sol do yogurt Ninho Soleil talvez não seja mera coincidência.

Faça o que eu digo…
Pete Coors, principal executivo e garoto-propaganda da cervejaria americana Coors, controlada pela canadense Molson, foi preso por dirigir embriagado ao sair do casamento de um amigo.

…Não faça o que eu faço
Coors, nos comerciais, defendia o consumo responsável de bebida alcóolica. Há rumores de que Zeca Pagodinho, que sabe tudo de cerveja, se interessou pela vaga aberta.

criado por apoena.augusto    20:56 — Arquivado em: Sem categoria

9.7.06

Plano B

O melhor lance brasileiro desta Copa que acabou ontem com a merecida vitória da Itália, fora dos gramados, claro, e que serve também como exemplar contraponto ao que fizeram (ou deixaram de fazer, melhor dizendo) os irreconhecíveis canarinhos, veio da gigante Brahma.

Logo após termos sido despachados pra casa, com um sutil au revoir comandado pela genialidade do maestro (eles também perdem a cabeça) já agora aposentado Zidane e sua trupe, a cervejaria exibiu um filme que, à primeira vista, parecia mais um dentre os incontáveis veiculados com o mesmo tema: acrobacias e piruetas com a “gorduchinha” mais disputada do planeta.

Ao final, eis que surge o mais improvável dos Ronaldinhos: o cantor e compositor Zeca Pagodinho dizendo, por meio da linguagem que todo mundo entende, que dessa vez não deu, mas, em 2010, se Deus quiser, a gente tenta de novo.

Foi talvez a única empresa das muitas que criaram comerciais vinculando suas marcas à Copa a prever, ou, para deixar claro que não se trata de bola de cristal, contar com a possibilidade (vai ver deram ouvidos aos maus agouros de Pelé e Juca Kfouri) real de a seleção sair da competição antes do tempo e deixar milhares de brasileiros apenas na vontade e no sonho do hexa.

Enquanto a maioria dos anunciantes corria para tirar do ar seus filmes que enalteciam a habilidade não demonstrada dos nossos craques, a cervejaria já estava com tudo pronto, espumando, em caso de derrota. Não deu outra. Como a provar que santo de fora também não faz milagre, até a poderosa Nike tropeçou no próprio cadarço.

É por isso que, por mais bonito que pareça o gramado, nunca é demais ter guardado na meia um Plano B. Ele pode acabar sendo necessário. Fica a lição.

Mala direta

Experimenta
E por falar em cerveja, a Nova Schin está se especializando em criar polêmica. Primeiro com o Zeca Pagodinho, agora com todos os torcedores não flamenguistas do Rio de Janeiro.

Gol contra


Dessa vez a cervejaria se posicionou como a marca da nação rubro-negra usando até Zico, o galinho de Quintino, símbolo máximo do clube até hoje, para consolidar a estratégia.
O resultado é que supermercados, bares e botecos cujos donos torcem por outros times, principalmente o Vasco, estão boicotando o produto.

Lição
É por isso que, em Belém, quem quer enveredar pelo campo do marketing esportivo já sabe a lição: patrocina Remo e Payssandu e, se o caixa estiver forte, ainda inclui a Tuna. Com torcedores movidos pela paixão não se brinca.

Liso, mas teso
Slogan de um motel de beira de estrada, em São Paulo: “Perfeito para quem está duro”. Quem viu ainda disse que a marca lembrava um comprimido de Viagra.

Maldade da boa
De Tutty Vazquez, colunista do site nominimo.com.br: “A Varig vai mal das pernas, mas também não é nenhum Roberto Carlos”. E olha que a Varig tá muito mal.

criado por apoena.augusto    19:09 — Arquivado em: Sem categoria

2.7.06

Baixe o toque do Felipão

Depois do replay da final da Copa de 98, com nossos 11 canarinhos, coitados, de asas cortadas, é possível chegar a algumas conclusões:
1. Ronaldo “Fenômeno”, às vezes, bate um bolão, sim. Fora da seleção. Dentro, só atrapalha;
2. Ronaldinho Gaúcho, sozinho, não faz milagre;
3. Kaká tem apenas surtos;
4. Roberto Carlos não faz mais jus ao nome que tem;
5. Cafu, bem, deixa pra lá…
6. Zé Roberto manda bem, mas, também, não faz milagres;
7. Parreira e Zagallo podem dar adeus ao futebol que ninguém vai sentir falta;
8. Robinho é “o” cara e, por fim;
9. A Nike, como escaladora de time, é uma excelente patrocinadora.
No final das contas, nos resta torcer por um time cujo futebol pode ser eficiente, mas não encanta: o de Portugal, de Luis Felipe Scolari.
E por falar em Felipão, ele, a cada partida, protagoniza um verdadeiro espetáculo fora do gramado com sua seleção de muito mais de 11 caras, bocas e gestos, demonstrando toda sua "alegria" com o desempenho da equipe em campo. É tão expressivo que deve fazer inveja a todo elenco global de Malhação.
À cabeça, vêm logo a idéia de uma série de produtos licenciados para tirar algum tipo de proveito desse personagem que, sem dúvida, já se tornou uma das estrelas do megaevento, mesmo sem poder sair da lateral do campo.
Capas de caderno, descanso de tela para computador, toques de celular (provavelmente proibido para menores), réguas de humor, enfim, são tantas coisas capazes de pegar carona no “jeitão” do treinador que a lista pode ser quase infinita. Até piada de português porque não?
Na próxima partida, a torcida é para que a câmera fique mais tempo focando o banco dos portugas do que a seleção de além-mar. Nada contra a esquadra lusa, em português de Portugal, que, mesmo jogando futebol que está longe de encher os olhos, está chegando, fazendo o tal de jogo de resultado. Ou seja, que é melhor e muito mais divertido ver o bigode do Felipão quase saltando da boca e agarrando o pescoço de um de seus pupilos, isso é.
 
Mala direta
 
Uma coisa leva a outra
 
Frase de Lula em recente entrevista ao caderno de esportes do jornal O Globo: “Eu não era nenhuma Brastemp jogando bola”. E governando o país, presidente?
 
Top of mind de abobrinhas
 
Por sinal, Lula tem se mostrado um lúcido, assim lhe parece, conhecedor de futebol nesses tempos de Copa. Talvez fosse o caso de ser chamado para dar uma mãozinha a Galvão Bueno nos comentários. Será que ninguém pensou nisso?
 
Bola Fora
 
O pior de tudo é ainda ter que assistir aos comerciais da Nike - pós-desclassificação - enaltecendo Ronaldo “Fenômeno”. Nada mais inoportuno.
criado por apoena.augusto    19:00 — Arquivado em: Sem categoria

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