Apoena Augusto

Para quem consegue enxergar o lado B do Marketing. E ainda se divertir com isso.

28.8.06

Quer desconto, né?

Engana-se redondamente ou quadradamente quem pensa que consumidor é besta na hora de comprar. Basta prestar atenção para constatar que ele vive inventando moda para conseguir uma pechincha.

Só que agora, com informação à vontade fornecida pelas infovias (infra-estrutura para transmissão de voz, dados e imagem), o que não faz muito tempo se resumia a um encabulado "me dá um desconto?", ou um despretensioso "se eu pagar à vista, por quanto fica?", se tornou, em alguns casos, num filme de terror para os varejistas.

Talvez inspirados pelas negociações feitas entre grandes empresas, onde volumes gigantescos rendem descontos também polpudos, consumidores chineses estão se reunindo em verdadeiros pelotões de "chorões" para ir até as grandes redes comprar em massa.

A Gome, por exemplo, uma das gigantes de eletroeletrônicos do país, teve que baixar os preços em até 30% quando um tsunami amarelo de mais de 500 pares de olhos puxados e rasos invadiu a loja querendo seus produtos. Tudo previamente combinado pela internet.

Há quem diga que os volumes negociados compensam os descontos exigidos, no entanto, não são apenas as grandes redes que estão sendo atacadas.

Templos de luxo como as lojas da Luis Vuitton, marca famosa por suas bolsas, entre outros objetos, que podem passar de estratosféricos R$ 10 mil (com direito a fila de espera), também são alvo da sanha por generosos de$contos quase a perder de vista, pode-se dizer assim.

É claro que este tipo de rede comercial ocidental na origem e nos métodos, que não dá desconto, nem parcela, quer distância desses exércitos de internautas sedentos por novidades e preços baixos. Mesmo assim, no outro lado do balcão, na hora dessas empresas irem às compras junto aos fornecedores, imitar os chineses não é um mau negócio, ou melhor, é, isso sim, um negócio e tanto da China.

Mala direta

Polêmica
Uma marca talibã de sorvete tentou usar o apelo do regionalismo e, no seu logotipo, que remete à bandeira paraense, trocou a estrela por uma bola de sorvete. O republicano Philadelfo Condurú, tido como o provável autor do desenho original, deve estar em convulsões no túmulo.

Cheiro cheiroso
A gigante brasileira Natura, líder no segmento de cosméticos no país, com um investimento de 13 milhões em uma unidade fabril instalada no município de Benevides, na Região Metropolitana de Belém, chega para deixar o Pará ainda mais cheiroso e com menos gente na fila do desemprego. Assim se espera.

Dolly das urnas
Um candidato a deputado federal, na sua estratégia de campanha, está usando jingles famosos de grandes anunciantes locais e nacionais. Como perguntar não ofende, e os direitos autorais, estão em dia?

criado por apoena.augusto    0:28 — Arquivado em: Sem categoria

21.8.06

Lilliput no supermercado

Quem ainda não leu o livro sobre os baixinhos liliputianos deve correr à livraria mais próxima. Vale a pena. Uma obra universal ("Viagens de Gulliver", do escritor inglês Jonathan Swift), que encanta gerações desde o século 17. Bom, mas o nome próprio do título acima é o da ilha imaginária onde Gulliver, uma espécie de Robson Crusoé dos desenhos, aporta com seu cachorro após um naufrágio enquanto singrava os sete mares em busca de seu pai desaparecido.

Lá, se depara com habitantes que medem apenas seis polegadas e que, logo de cara, tratam o herói da aventura como uma espécie de King Kong falante, mas que depois se rendem à simpatia do "gigante".

Guardadas as devidas proporções, é mais ou menos o que está acontecendo com os produtos nos supermercados. Por conta de uma redução na quantidade de pessoas que compõem as famílias atuais, as porções do que há disponível nas prateleiras também diminuíram. E muito.

Nos gêneros alimentícios, por exemplo, chega a ser comum encontrar doses únicas, visando o cada vez mais crescente público dos solteirões que povoam as metrópoles.

Mas não é só nas seções de congelados que se expõem as grandes mudanças. Os serviços também estão começando a acompanhar o que não pode mais ser rotulado como tendência.

De delivery a sites de relacionamento, passando por pacotes de viagem e corretagem de imóveis, já são várias as empresas que enxergam em quem foge da vida a dois (ou três, quatro…) uma excelente oportunidade de negócios.

No ramo imobiliário, segundo a revista Istoé Dinheiro, casas e apartamentos para singles já representam entre 15% e 20% do volume de vendas. Percentual nem um pouco solitário.

É por isso que, cada vez mais, o tamanho "super size", termo que pode ser considerado símbolo do que há de maior em qualquer segmento, vai perdendo espaço para versões menos exageradas das coisas. O bolso, que na maioria dos casos também é liliputiano, agradece.

Mala direta

Polêmica
A Telemar, no Rio de Janeiro, para facilitar a vida dos carteiros e, consequentemente, a entrega das contas aos clientes, usou o "apelido" de uma rua como referência de localização na correspondência.

"Rua dos gays"
Está na cara que a rua é famosa pelo trânsito intenso da turma mais alegre da cidade, daí o rótulo.
Se fosse por aqui, ia deixar os intrépidos carteiros tontos, pois a quantidade de ruas que poderiam levar essa alcunha já não se conta nos dedos de uma mão.

Estratégia
O restaurante de comida por quilo que vende mais não é o mais barato, nem o mais limpo, nem o que tem a melhor comida ou serviço. É o que usa os maiores pratos. Pode observar.

Déjà-vu
Quanto mais se tenta mudar as campanhas políticas, mas elas continuam absolutamente iguais.

criado por apoena.augusto    14:00 — Arquivado em: Sem categoria

14.8.06

Macho man

Esqueça, ou melhor, reveja tudo aquilo que você já leu (inclusive aqui, neste espaço), viu ou ouviu falar sobre os metrossexuais. Estes seres terrestres, como um modelo de automóvel ou um sapato mocassim, simplesmente saíram de moda. Foram, como se diz por aí, limados.

O mundo é assim mesmo e esse tipo de vira-e-mexe, que promove e em seguida derruba nada mais é do que o combustível dos mercados. O craque inglês David Beckham, por exemplo, não é mais "selecionável". Perdeu seu posto após o fracasso na Copa. Com isso, talvez tenha um pouco mais de paz, ao menos até a próxima reviravolta.

Mas para que esse tipo de movimentação aconteça, onde um desce, outro precisa subir. E a bola da vez, quem diria, são os "retrossexuais".

A mídia, americana pelo menos, está exumando a imagem dos homens que são a antítese dos metrossexuais. Eles gostam de "coisas de homem", tratam as mulheres como suas serviçais e caçoam de outros homens que possuam gostos, digamos, mais delicados ou tenham qualquer preocupação com sua forma física, preferindo alimentos menos calóricos a ovo com bacon ou rosquinhas.

Esse perfil, abominado pelas feministas de plantão (e, acredita-se, qualquer cidadão ou cidadã com um pouco de bom senso), foi desenhado há mais de um ano em pesquisa da agência Leo Burnett e agora está sendo utilizado em comerciais de TV onde o comportamento do homem "macho" é o eixo do roteiro.

Ainda não se tem notícia dos resultados desse estímulo da mídia ao comportamento muito bem encarnado no cinema pelo ator Jece Valadão, nem se ele vai chegar por aqui, se é que um dia chegou a sair, mas que, como o próprio termo dá a entender, soa como um retrocesso no papel da comunicação perante a sociedade. Sobre isso não há dúvida.

Uma coisa também é certa: infelizmente, o público-alvo não é nada desprezível.

Mala direta

Enquanto uns choram…
A situação de alerta em que se encontram os aeroportos de Inglaterra e Estados Unidos por conta da ameaça terrorista, onde medidas radicais impedem passageiros de embarcar com bagagem de mão e vários vôos atrasam, trouxe um enorme impacto para alguns segmentos de negócios.

…outros vendem lenços
Um dos principais foi o aumento na venda de equipamentos de videoconferência e outros que permitem reuniões à distância.

Baba

U$ 500 mil é o cachê que o excêntrico músico inglês Elton John receberá para cantar nas areias de Copacabana, em 20 de janeiro de 2007. É dinheiro suficiente para ele renovar todo o guarda-roupa e se livrar daqueles ternos de gosto duvidoso…

Figa
Do jeito que Geraldo Alckmin vem caindo nas pesquisas, só lhe resta torcer para que Lula continue dando entrevistas. E ele não conceda mais nenhuma.

criado por apoena.augusto    14:17 — Arquivado em: Sem categoria

6.8.06

É nóis no tubo

Não importa se é profissional ou amador, bom ou ruim, pirateado ou não. O que interessa é que o espaço dele está garantido, ao menos no sítio cibernético.

A grande sensação da internet, depois do Google e suas dezenas de tentáculos, claro, é um site onde absolutamente qualquer pessoa pode mostrar ao mundo suas criações audiovisuais: o YouTube.

É como uma espécie de rede de TV para quem não tem uma produtora. Simples assim.

Chad Hurley e Steve Chain, dois nerds californianos, são os pais do serviço que, como muitos negócios virtuais (está aí Bill Gates que não deixa mentir), foi criado na garagem de sua casa após algumas cervejas com amigos igualmente estranhos.

Partes da reunião foram gravadas em vídeo e, ao tentar enviar as imagens uns para os outros, foram barrados pelo peso dos arquivos, o que emperrou suas caixas postais de e-mail. Bingo! Acabava de nascer um dos maiores sucessos de audiência da grande rede.

Mas o endereço virtual cujo nome faz alusão ao tubo de um aparelho de TV ou de um monitor de computador pessoal, apesar de ter atingido sucesso de público (foram 12,6 milhões de acessos em maio de 2006, 1,4 milhões só no Brasil, segundo o Ibope/Net Ratings) está longe de ser sucesso de bilheteria.

Hurley e Chain declararam que simplesmente não sabem como fazer para rentabilizar o negócio. Mesmo assim, não faltam investidores de risco dispostos a apostar, e alto, para ver no que vai dar. Até agora já foram mais de 11 milhões de dólares captados em duas rodadas da Sequoia Capital, um fundo com forte atuação no Vale do Silício, reduto das grandes empresas de tecnologia.

Enquanto os discípulos do mestre Gates pensam em como ficar ricos com sua criatura, os seguidores de Andy Warhol, ávidos pelos seus 15 minutos de fama, continuam publicando seus vídeos sem se importar muito com o que rola nos bastidores.

Mala Direta

Inutilidade pública
Acaba de ser inaugurado um serviço nos EUA tão inusitado quanto inútil: O Popularity Dialer. Ele serve para fazer ligações pré-agendadas simulando uma voz feminina para que o usuário pareça popular entre os amigos ou, com a voz do chefe, questionando um trabalho pendente, na intenção de ajudar a fugir de alguma situação inconveniente.
Pensando bem, um amigo faria a mesma coisa, de graça.

Só entra café
Alguém já reparou a quantidade de casas com o nome "café" em Belém? Café Dalí, Café Imaginarium, Café da Sol, Pimenta Café, Café com Arte, Café Taverna…
E só o da Sol serve a bebida de verdade.

Agora é sério


Belém faz mais uma tentativa para entrar no divertido circuito humorístico nacional com a inauguração do Clube da Piada, de Serginho Cunha.
A torcida é para a iniciativa, tida como séria, não virar piada.

criado por apoena.augusto    20:31 — Arquivado em: Sem categoria

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