Apoena Augusto

Para quem consegue enxergar o lado B do Marketing. E ainda se divertir com isso.

24.9.06

Eu blogo, tu blogas…

Com exceção de alguns países como a China, que censura sem dó nem piedade o conteúdo do que cai na rede das infovias orientais, a palavra de ordem na internet no mundo todo é a fantástica liberdade de se expressar livremente doa a quem doer, faça chuva ou sol, tanto faz. Isso a gente chama de democracia da manifestação humana. É o que nos faz diferentes das outras espécies animais. Há os excessos, claro, mas é melhor assim do que o indesejável controle chinês.

No ascético e silencioso ambiente digital, qualquer um com pouco ou quase nenhum conhecimento técnico pode, em poucos minutos, abrir seu próprio canal e pôr a boca no trombone (ou no teclado) para dizer o que lhe vier à telha. De A a Z, em todas as línguas, menos no chinês, naturalmente.

Amparados por esse liberal, anarquista, melhor dizendo, princípio, os blogs se tornaram a febre do mundo virtual. Seja para escrever o diário de um pai de primeira viagem às voltas com mamadeiras, choros estridentes madrugada adentro ou caquinhas de empestar o ambiente ou tirar sarro com alguma celebridade política ou do meio artístico, os blogs acabaram ganhando espaço e credibilidade até pouco tempo inimagináveis.

A poderosa Apple, por exemplo, segundo reportagem da revista Época, apesar de negar, chegou a lançar um programa formal de troca das baterias defeituosas de uma de suas mais famosas criações, o iPod, por conta do sucesso de um blog chamado “iPod’s Dirty” (sujo segredo do iPod), feito por um consumidor insatisfeito com o pós-venda da companhia.

De acordo com o site Technorati, que cataloga e faz busca em blogs no mundo inteiro, são criados diariamente no mundo algo em torno de 75 mil por dia, o que dá uma média de um por segundo. É claro que boa parte é tão útil quanto pente para careca, mas já há quem consiga sobreviver apenas “blogando”. É o caso de Edney Souza, dono do Interney.net.

A grande sacada do Interney, que também ajuda internautas a virar blogueiros de grande audiência, é a seção de testes onde disponibiliza questionários eletrônicos elaborados por ele mesmo como “Você é uma pessoa ciumenta?” ou “Você é paranormal?”. A audiência de seu ciberspaço lhe rendeu uma parceria com o site Mercadolivre.com onde, ao longo dos textos, faz ofertas através de uma ferramenta de busca que lhe rende alguns centavos a cada clique. O resto fica por conta das suas mais de 100 mil visitas diárias.

Como a mídia planetária começa a ver a novidade com outros olhos, é provável que o sucesso dos blogs dure muito mais do que pensa a vã filosofia dos blogueiros. Depois desse blábláblá, vamos ao que interessa, que é o blog do colunista, já algum tempo nessa onda virtual: http://apoenaaugusto.blog.terra.com.br. Acesse.

Mala direta

Água quente


A Idéia 3, agência baiana, pegou carona no vídeo de Daniela Cicarelli digamos, se divertindo, com o namorado na praia e criou uma peça de outdoor para um motel: "Cuidado, na praia podem estar filmando. 2h por R$ 19. Motel Le Point", diz a peça. Oportunidade é isso.

Novo sabor
Depois que Lorenzetti passou de marca de chuveiro a sobrenome de churrasqueiro lulista e bisbilhoteiro da vida alheia, banhos quentes e picanha na brasa nunca mais foram os mesmos.

Será?
Após as declarações que causaram dezenas de manifestações dos muçulmanos, especula-se que o ghost writer de Lula tenha escrito o fatídico discurso de Bento XVI. Lula, naturalmente, garante que não sabe de nada.

Não é caneta, não é avião…
Apesar do nome de famosa caneta esferográfica, a Bic Service, empresa de vigilância recém chegada ao mercado paraense, vêm para mostrar que, independente do ramo, qualquer negócio pode fazer promoção com sucesso.

Futurologia
Se tudo correr bem como se espera - a cada 15 dias, ela baixa os preços de diversos equipamentos e divulga através da internet - não demora a Bic vira Mont Blanc.

- Esta coluna também é publicada no jornal O Diário do Pará -

criado por apoena.augusto    23:43 — Arquivado em: Sem categoria

18.9.06

Próxima vítima pode ser você

Paco Underhill, antropólogo especializado em comportamento do consumidor e autor do best seller "Vamos às compras", fala em seu livro sobre o que o fez, por não encontrar nome melhor, batizar um banal incidente que acontece com qualquer pessoa aqui, ali e acolá de "fenômeno do esbarrão por trás".

Segundo o cientista do jeito de ser da gente, as pessoas, em geral, enquanto tranquilamente observam um produto, podem simplesmente perder o interesse por ele caso levem um esbarrão por trás, pois tão certo quanto dois e dois são cinco, ops!, quatro melhor dizendo, terão a atenção desviada.

Caso quisesse fazer mais constatações a respeito do assunto, Paco poderia dar um pulinho até a Feira Pan Amazônica do Livro, no hangar da Aeronáutica, na Avenida Júlio César.

Em meio ao que lembra, já pra entrar no clima da festa, a procissão do Círio de Nazaré, pessoas tentam encontrar seus autores favoritos e, quem sabe, de quebra, ainda descolar um autógrafo do descolado Luis Fernando Veríssimo, no disputado estande da Livraria da Visão. Não fica difícil imaginar quantos esbarrões por trás se consegue numa aventura intelectual dessa envergadura.

O autor desta coluna, por exemplo, perdeu as contas quando já estava mais ou menos no décimo sétimo encontrão. E antes que fosse necessário se submeter a uma friorenta e gosmenta massagem com Gelol, adeus feira. De mãos abanando, claro. Ruim para o colunista, pior ainda para os expositores.

Mala direta

Dolly
Pedro Galvão, nosso publicitário-celebridade, sobre a campanha de Vic, que fez uma versão de seu famoso jingle dos supermercados Líder: "Fomos parodiados! Tudo bem… se fosse ruim, ele não teria usado". Faz sentido.

Novo blog
Galvão Bueno estreará seu blog na semana que vem. Se for tão inspirado, digamos assim, quanto suas opiniões sobre futebol, vai ser recorde de comentários. Só não dá para saber ainda se positivos ou negativos. Esta coluna aposta suas fichas na segunda hipótese.

Freud explica


Como se explica tanta audiência na internet para a foto da atriz Juliana Paes sem calcinha se a moça até nua já posou? É assunto para divã.

criado por apoena.augusto    14:18 — Arquivado em: Sem categoria

10.9.06

Bolacha neles!

Depois do jornal impresso, que teve sua morte anunciada para 2043 em um artigo de repercussão planetária publicado na bíblia dos empresários, a revista The Economist, para, digamos, compensar, este espaço anuncia para Deus e o mundo uma tentativa de ressuscitar um moribundo que insiste em se manter na UTI, sem deixar que ninguém toque nos botões que desligam os aparelhos, de tecnologia de ponta, vale lembrar.

Há 24 anos, surgiu seu primeiro algoz: quatro vezes menor, mais fácil de transportar, com mais capacidade de armazenamento e carregando em si uma dose suficiente de avanço tecnológico para deixar seu charmoso par, o disco de vinil, de "sulcos" caídos. E o mundo recebeu o CD de ouvidos abertos.

Em seguida, veio o MD. Mais capacidade ainda de registro e com uma vantagem: regravável. Talvez pelo mesmo inexplicável motivo que fez com que o Atari superasse o Odissey, videogame oitentista várias vezes superior, fracassou. Mas o "bolachão" continuava lá, firme e forte, agitando as casas noturnas e as salas de música dos nostálgicos.

O CD virou personalizável, regravável e descartável, coisa impensável para seu irmão mais velho. A música, que agora não precisa mais de uma agulha ou um feixe laser para se fazer ouvir, foi definitivamente popularizada por conta das infovias e do MP3, fantasma das grandes gravadoras que ainda não aprenderam o que fazer com bits e bytes sonoros.

Enquanto isso, na estante da sala, só observando, lá estava ele, impávido e resistente ao tempo.

Pois o vinil, objeto de desejo de dez entre dez DJs, colecionadores ou apenas amantes da música, acabou de receber mais uma descarga do eficiente desfibrilador japonês.

A nipônica ELP acaba de lançar o Laser Turntable que, através de um sistema semelhante ao do disquinho prateado, faz a leitura dos glamorosos long plays, dispensando as velhas agulhas.

O preço ainda não soa como música para os ouvidos. Na verdade, os quase U$15 mil cobrados pelo equipamento em sua melhor versão, que toca os discos em vários formatos e rotações, parecem mesmo é com trilha de filme de horror, mas se a idéia emplacar e o custo cair, tem tudo para ir para o topo das paradas de sucesso.

Mala direta

Plaft!
Belém está, enfim, pisando firme no promissor segmento da animação para comerciais. O VT "Mata-barata", da Superdream, com criação da Inside e produção da Digital, além de botar no ar um jingle paid’égua, fala de um assunto incômodo com uma chinelada de bom humor.

O bolso agradece
O HSBC está enviando e-mails aos seus correntistas sugerindo que optem por não receber pelos correios seus extratos de papel, serviço que é disponibilizado gratuitamente pela internet. Com isso, parte do dinheiro economizado será doado ao Instituto HSBC Solidariedade, que apoia, dentre outros, projetos ambientais e de capacitação de portadores de necessidades especiais.
Até que enfim alguém arrumou uma maneira de ser solidário sem meter a mão no bolso de ninguém. Pelo contrário.

Direita, volver!
Um solitário soldado devidamente uniformizado na travessa Padre Eutíquio, em frente ao shopping, entregava dias desses panfletos convocando "rapazes e moças a ingressar na carreira militar". Com salários que vão de R$ 1.400 a R$ 4.600, do jeito que anda comprida como cauda de cometa a fila dos sem-emprego no país, não vai dar para quem quer.

- Esta coluna também é publicada todas as segundas-feiras no Jornal O Diário do Pará -

criado por apoena.augusto    20:05 — Arquivado em: Sem categoria

3.9.06

Com os dias contados

Sabe aquele velho hábito que vem dos nossos tataravôs ou mais pra trás de tomar o café da manhã folheando o jornal preferido para saber das novidades do momento todo santo dia faça chuva ou sol? Pois é, já há quem diga que esse agradável costume tão corriqueiro que a gente nem se dá conta, a não ser quando é interrompido, está com os dias contados.

Pior, 2043 seria o ano da publicação da última edição impressa de um jornal no mundo.

Tamanha (e questionável) precisão, publicada pela bíblia de dez entre dez formadores de opinião da área econômica nos Estados Unidos, a revista The Economist, informa ainda que o motivo não é outro senão a migração em massa dos leitores dos impressos para os meios virtuais.

Esse movimento, que se dá principalmente entre os jovens, justifica-se não só pela facilidade de acesso à informação, mas, também, pela diversidade de fontes de onde retirá-la. Com um detalhe que faz a diferença: em muitos casos, sem desembolsar nenhum tostão, dólar, euro ou iene, para citar apenas algumas moedas famosas.

Números não faltam para comprovar: nos últimos 20 anos, os funcionários formalmente contratados nas empresas de mídia impressa tradicional caíram em 18%; o site do jornal italiano La Republica hoje recebe 1 milhão de leitores por dia, o dobro da circulação de papel e, para arrematar, nos últimos 10 anos, a fatia do bolo publicitário absorvida pelos jornais caiu de 36 para 30%. Com um agravante: há uma previsão de queda de mais cinco pontos até 2015.

Por enquanto esses dados se referem apenas aos países do Primeiro Mundo. No Terceiro, como é o caso do Brasil, não é raro encontrar jornais impressos que experimentam crescimento contínuo e consistente. No entanto, tudo indica que o movimento de declínio seja lento, gradual e irreversível. Aconteça ele em 2043 ou, quem sabe, até antes.

Até a chegada do ano fatal, a ANJ – Associação Nacional dos Jornais, que acaba de promover encontro sobre o futuro da comunicação, ainda vai ter muito tempo para discutir o que fazer. Mas uma coisa é certa: o impresso nosso de cada dia já começa a deixar saudade na gente.

Mala direta

Tô chegando
E por falar em adeus, a quase inevitável pestana durante os vôos pode ir para o espaço. Companhias aéreas anunciam para muito breve a permissão de utilização de aparelhos celulares nos aviões. Se melhorassem só a comida, já estaria bom demais.

Dança da chuva
Sem entrar no mérito do que foi efetivamente feito pelo povo indígena nos últimos quatro anos, colocar como apresentador um legítimo representante dos primeiros habitantes da Terra Brazilis foi uma excelente sacada da equipe de campanha de Lula.

No leite


Pulando de um candidato para outro, quem teria coragem de votar em alguém tão engomado quanto o Eymael? Político com cara de bebê Johnson já se viu no que dá.

 

Esta coluna também é publicada no jornal "O Diário do Pará" todas as segundas-feiras

criado por apoena.augusto    18:43 — Arquivado em: Sem categoria

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