10.9.06
Bolacha neles!
Depois do jornal impresso, que teve sua morte anunciada para 2043 em um artigo de repercussão planetária publicado na bíblia dos empresários, a revista The Economist, para, digamos, compensar, este espaço anuncia para Deus e o mundo uma tentativa de ressuscitar um moribundo que insiste em se manter na UTI, sem deixar que ninguém toque nos botões que desligam os aparelhos, de tecnologia de ponta, vale lembrar.
Há 24 anos, surgiu seu primeiro algoz: quatro vezes menor, mais fácil de transportar, com mais capacidade de armazenamento e carregando em si uma dose suficiente de avanço tecnológico para deixar seu charmoso par, o disco de vinil, de "sulcos" caídos. E o mundo recebeu o CD de ouvidos abertos.
Em seguida, veio o MD. Mais capacidade ainda de registro e com uma vantagem: regravável. Talvez pelo mesmo inexplicável motivo que fez com que o Atari superasse o Odissey, videogame oitentista várias vezes superior, fracassou. Mas o "bolachão" continuava lá, firme e forte, agitando as casas noturnas e as salas de música dos nostálgicos.
O CD virou personalizável, regravável e descartável, coisa impensável para seu irmão mais velho. A música, que agora não precisa mais de uma agulha ou um feixe laser para se fazer ouvir, foi definitivamente popularizada por conta das infovias e do MP3, fantasma das grandes gravadoras que ainda não aprenderam o que fazer com bits e bytes sonoros.
Enquanto isso, na estante da sala, só observando, lá estava ele, impávido e resistente ao tempo.
Pois o vinil, objeto de desejo de dez entre dez DJs, colecionadores ou apenas amantes da música, acabou de receber mais uma descarga do eficiente desfibrilador japonês.
A nipônica ELP acaba de lançar o Laser Turntable que, através de um sistema semelhante ao do disquinho prateado, faz a leitura dos glamorosos long plays, dispensando as velhas agulhas.
O preço ainda não soa como música para os ouvidos. Na verdade, os quase U$15 mil cobrados pelo equipamento em sua melhor versão, que toca os discos em vários formatos e rotações, parecem mesmo é com trilha de filme de horror, mas se a idéia emplacar e o custo cair, tem tudo para ir para o topo das paradas de sucesso.
Mala direta
Plaft!
Belém está, enfim, pisando firme no promissor segmento da animação para comerciais. O VT "Mata-barata", da Superdream, com criação da Inside e produção da Digital, além de botar no ar um jingle paid’égua, fala de um assunto incômodo com uma chinelada de bom humor.
O bolso agradece
O HSBC está enviando e-mails aos seus correntistas sugerindo que optem por não receber pelos correios seus extratos de papel, serviço que é disponibilizado gratuitamente pela internet. Com isso, parte do dinheiro economizado será doado ao Instituto HSBC Solidariedade, que apoia, dentre outros, projetos ambientais e de capacitação de portadores de necessidades especiais.
Até que enfim alguém arrumou uma maneira de ser solidário sem meter a mão no bolso de ninguém. Pelo contrário.
Direita, volver!
Um solitário soldado devidamente uniformizado na travessa Padre Eutíquio, em frente ao shopping, entregava dias desses panfletos convocando "rapazes e moças a ingressar na carreira militar". Com salários que vão de R$ 1.400 a R$ 4.600, do jeito que anda comprida como cauda de cometa a fila dos sem-emprego no país, não vai dar para quem quer.
- Esta coluna também é publicada todas as segundas-feiras no Jornal O Diário do Pará -


criado por apoena.augusto
20:05 — Arquivado em:
Comentário por Fred Guerreiro — 15.9.06 @ 2:22
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