Apoena Augusto

Para quem consegue enxergar o lado B do Marketing. E ainda se divertir com isso.

30.10.06

Vai graxa aí?

Em uma cidade geograficamente tropical e, por isso, caliente… como forno à lenha de pizzaria ítalo-brasileira, terno e gravata, que todo mundo que acompanha o Círio nos ouça, não parece a indumentária mais de acordo com o nosso clima. Ainda mais se o “escritório” do cidadão são as desarborizadas e inóspitas ruas da capital paraense.

Desconsiderando completamente que algo mais leve certamente seria mais pertinente com o ambiente natural, Alex Bezerra, engraxate de 22 anos nascido em Castanhal, sai pelas ruas da cidade trajando, sem que isso lhe cause o menor desconforto, o que os convites para festas definem como passeio completo. Nas mãos, ainda carrega uma valise, que mais parece uma caixinha cheia de surpresas.

Alex inova ao despachar para o museu a tradicional caixa de madeira com apoio para os pés e surpreende tirando de sua recheada maleta não apenas um suporte todo articulado para apoiar o pisante dos clientes, mas, também, todos os apetrechos de trabalho necessários para deixar estalando de novo até o mais idoso dos sapatos.

E para quem se mostra interessado em saber mais a respeito dessa figura em tudo incomum, do visual ao modo de trabalhar, o engraxate-executivo também puxa da valise mágica uma pasta com vários recortes de jornal onde ele, orgulhosamente, brilha como estrela principal.

Com esse jeito de ser que o diferencia dos demais profissionais do ramo, já conseguiu alugar um kit net e, de quebra, trouxe dois irmãos do interior para morar com ele. Ambicioso, pensa em adquirir uma motocicleta para atender melhor os vários clientes que possui, gente abonada, quase todos empresários.

Depois de acertar o preço, R$ 5, este colunista, além do bom exemplo de empreendedorismo, ainda ganhou um brilho extra no sapato. Serviço de primeira, patrão!

Mala direta

Top of mind é isso

Um dos premiados na 16ª edição do Top of Mind foi o case da Samsung, que levou o troféu na categoria “computadores”. Até aí, tudo bem, se a empresa coreana não fabricasse apenas monitores.

Anúncio de oportunidade

E como uma chance dessas não se pode deixar escapar, a revista do evento trás uma peça onde monitores ilustram a frase: “Ser Top é ser lembrado como melhor computador e só fabricar o monitor!”. Voilá!

Grande negócio

Especialistas dizem que o negócio da vez não é investir em imóveis, ações ou fundos de renda fixa. Bom mesmo é ser adotado pela Madonna.

 

- Esta coluna também é publicada no jornal O Diário do Pará -

criado por apoena.augusto    23:31 — Arquivado em: Sem categoria

23.10.06

Jogada de Marketing

A frase que dá título a esta matéria serve como uma luva para interpretar todo tipo de atitude escusa, fraudulenta ou, no mínimo, passiva de investigação que se possa imaginar.

Sem entrar no mérito do sucesso ou fracasso dos exemplos, quando o "Fome Zero" foi lançado, no início do governo Lula, não passava de uma "jogada de Marketing" escondida por trás do que deveria ser um programa social de distribuição de renda para famílias abaixo da linha de pobreza.

Quando Bono Vox rodou o mundo defendendo os famintos e desabrigados, lá vieram implacáveis as críticas sobre as reais intenções do vocalista da banda U2.

Sting então, coitado, nem se fala. Foi pisoteado pela mídia por querer ajudar a causa indígena na Amazônia alguns nem tão distantes anos atrás. Aborígines esses que, como se sabe, andam de pick-up, usam celular, têm televisão de plasma e que são tão ou mais consumistas de coisas do mundo moderno quanto ele.

Mas a bola da vez é a pop star Madonna. A polêmica que se criou em torno da adoção de um menino pobre africano tomou proporções tão grandes que até o pai da criança, miserável e analfabeto, já se declarou enganado pela diva após ter assinado documentos cuja natureza jurídica, segundo ele, "não podia entender".

E como polêmica, claro, produz notícias e vende, é bem provável que, pelo andar da Ferrari, Madonna, infernizada pelas declarações mundo afora sobre tudo não passar de "uma jogada de Marketing", esteja a ponto de "devolver" a criança que, na melhor das hipóteses, ganharia o bilhete premiado se conseguisse escapar, morando com o pai biológico, de ser mais um número de uma estatística de óbitos.

No final das contas, parece clara também a inabilidade dos próprios profissionais de Marketing em dizer à sociedade que a profissão está longe de ser sinônimo de trapaça ou cambalacho, mas sim, de um conjunto de ferramentas que têm a única ou principal função de encaminhar e sugerir soluções para os problemas das pessoas. E só.

Mala direta

Eco jornalismo
Quanto mais surgem denúncias de corrupção no governo, mais Lula cresce nas pesquisas. Já que, pelo jeito, não adianta mesmo remar contra essa maré, qualquer hora dessas a mídia joga a toalha e adere ao jornalismo à lá Globo Repórter: matérias super interessantes sobre a reprodução das lontras marinhas do Pacífico Sul. Deve dar ótima audiência. Ou não.

Coca-Cola do futebol

Pelé está, definitivamente, em todas. Neste domingo, no autódromo de Interlagos, entregou ao piloto Michael Schumacher um troféu em homenagem à sua carreira vitoriosa. Encerrou, humildemente, conferindo a ele o título de "Pelé da Formula 1".

Vermelho, de raiva
Por falar em "Schummy", antes de se despedir das pistas, Schumacher deu uma corridinha até a Daslu, o templo do consumo de alto luxo paulistano. Saiu de lá aborrecido com uma fotógrafa que lhe flagrou torrando alguns quilômetros em dinheiro na investigada loja. Vai ver o quase ex-todo-poderoso das pistas não queria que se soubesse que ele também pechincha.

- Esta coluna também é publicada no jornal O Diário do Pará -

criado por apoena.augusto    23:06 — Arquivado em: Sem categoria

15.10.06

Mal na foto

Não é de hoje que a propaganda mundo afora vem sofrendo ataques talibãs.

Em Paris, um movimento antagônico que já tem mais de dois anos e é formado por intelectuais e pichadores, sai pela madrugada pintando anúncios, alguns bons, outros ruins de dar dó, indiscriminadamente, como forma de protesto contra uma propaganda, segundo eles, invasiva e indesejada.

Já em Berlim, a moda agora são os adesivos com aquelas caretas amarelas que expressam emoções, os smileys, símbolos muito comuns nas salas de bate-papo de internet, acompanhados de frases de aprovação ou não às peças. "Odeio este anúncio", vocifera um, ou "Vomito neste anúncio", diz com náusea outro.

Até aí, os mais tolerantes poderiam dizer que não passa do exercício da mais pura liberdade de expressão, apesar de ser algo que se constitui em prejuízo ao anunciante e ao exibidor. No entanto, nenhum deles é tão radical quanto o que está acontecendo em São Paulo.

Na cidade que nunca dorme, o prefeito Gilberto Kassab apresentou, e conseguiu a aprovação por 45 votos a 1, um projeto chamado "Cidade Limpa Tolerância Zero" onde, a partir do ano que vem, todos os painéis eletrônicos e outdoors, que são muitos e absolutamente desordenados, é necessário que se reconheça, serão retirados das vistas da população, definitivamente, pelo menos na atual administração.

Além de obviamente radical, pois não dá a menor chance das empresas apresentarem suas idéias para resolver o problema ou sequer sugere uma justa regulamentação, a medida deve levar à bancarrota todas as empresas que fazem deste seu único mercado.

Não há dúvidas de que a cidade ficará mais despoluída, até clean, dizem os que aprovam a idéia, mas será que realmente não há uma maneira de criar um convívio pacífico entre a mídia exterior e o ambiente urbano?

Uma coisa é certa: se a moda pega e esse tsunami resolve invadir a praia de outros Estados, as exibidoras vão ficar muito mal na foto.

Mala direta

Rima, uai!
Na capital de Minas, terra do pão de queijo e da cachaça, um armazém, espécie em extinção, chamado "Lano", cujo mascote é um australiano canguru, usa como slogan a frase: "Venha pu-lano". É nessas horas que se vê a falta que faz um bom publicitário na vida do empresário.

Canguru papa-chibé
Nossa versão saltitante açaí-com-tapioca, Radiolux, apesar de usar um slogan desatualizado, "fiado só na Radiolux", afinal praticamente ninguém vende mais nada à vista, ao menos teve o bom senso de não arriscar a rima pobre.

Mudança no armário
Clodovil no Senado deve, já há quem aposte nisso, dar uma repaginada nos modelitos pra lá de arcaicos de suas excelências. Não é nada, não é nada, quem sabe a Casa não fica mais, digamos assim, collorida.

Ecos do Círio


Em um dos shoppings de Belém, a Consul montou um stand onde a estrela é uma geladeira que tem filtro de água na porta. Grande sacada de praticidade da empresa, sem dúvida. Mas será que é mesmo preciso fazer fila para experimentar a água filtrada que sai da bendita? Ô povo estranho…

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criado por apoena.augusto    22:23 — Arquivado em: Sem categoria

10.10.06

Jogo do empurra

Além de um insensível jogo de empurra pra lá, empurra pra cá, todo mundo tirando da reta, ou o corpo fora, foi, resumindo, nisso que se transformou, lamentavelmente, a tragédia do vôo 1907 da Gol, que matou 149 passageiros e seis tripulantes, no final de setembro, por sinal, em dia de céu de brigadeiro, ainda em território paraense.

De um lado, está o repórter americano especialista em aviação Joe Sharkey, passageiro do Legacy que colidiu com o Boing da Gol, afirmando que o sistema de controle de tráfego aéreo na Amazônia é falho, causando um incidente diplomático e a imediata reação de diversas autoridades brasileiras que o acusaram de "desconhecimento técnico". De outro, o Infraero, responsável pelo controle do tráfego, negando problemas nos radares ou uma eventual barbeiragem dos operadores.

A brazuca Embraer, fabricante do Legacy e símbolo de excelência em aviação aqui e no exterior, até então, mantém o trem de pouso baixo, aguardando o fim das investigações para se pronunciar. Mesmo adotando essa postura, é claro que não deixou de ser alvo de especulações, pois já foi levantada a hipótese de falha no equipamento do jato. Observando pela janelinha, e na mesma situação, está a poderosa Boing.

Por trás disso tudo, o pânico de todos os lados em ter que carregar o ônus de tantas mortes e, consequentemente, as justas indenizações. Tudo isso sem falar no inevitável arranhão na fuselagem da marca.

Até agora, a Gol foi a única que, ao menos oficialmente, demonstrou todo o profissionalismo que uma empresa deve ter diante de tragédias de proporções tão grandes. Profissionalismo e respeito à família dos mortos.

Constantino de Oliveira Júnior, presidente da companhia, em entrevista, afirmou que "… a questão do negócio, de valor, de empresa, pode ser deixada para depois. O momento é de solidariedade". O plano de assistência da empresa inclui, segundo ele, "deslocamento para o local de recebimento dos corpos, pagamento dos custos de velório, pagamento de hotel e alimentação às famílias e todo apoio necessário neste momento delicado".

Enquanto a responsabilidade não aterrissa sobre as costas de ninguém, familiares das vítimas choram suas perdas e aguardam para saber a quem processar.

Mala direta

Dossiê Garotinho
Geraldo Alckmin aceitar o apoio da dupla Garotinho para o segundo turno foi uma estratégia tão inteligente quanto a compra pelo PT do dossiê tucano, com a eleição praticamente ganha no primeiro turno.

A china tem Chana


Chega ao Brasil ainda este mês a montadora chinesa Chana. O primeiro veículo a ser lançado durante o salão do automóvel em São Paulo é a minivan Family. Em outros tempos, Chana tinha um outro significado.

Confortável e espaçosa
O filme comercial, parece, deverá mostrar o quanto a família brasileira se sentirá confortável dentro de uma Chana. "Será um sucesso entre os pais de família", dizem os especialistas. Tudo indica que sim.

Day after
Como está sendo o seu dia seguinte ao Círio? Para quem apostou no evento como negócio não há o que reclamar.

- Esta coluna também é publicada no jornal O Diário do Pará -

criado por apoena.augusto    1:01 — Arquivado em: Sem categoria

1.10.06

Marketing aloprado

“Miasmas pútridos emanam do Congresso em Brasília, contaminando o ar da metrópole. Mas o meu nome não exala odor mefítico porque não chafurda no pântano da ignomínia".

Antes de se supor que a frase acima foi dita por algum festejado imortal da Academia Brasileira de Letras, o rebuscado autor abre o jogo: “Meu nome nunca esteve ligado à imundície - por isso não aparece em lista alguma de deputados suspeitos de assaltarem o povo. Pela doença que tive, perdi minha barba. Sou deputado federal. Com barba ou sem barba, meu nome é Enéas, 5656".

Mesmo sem o exuberante emaranhado pêlo-facial que marqueteava sua marca registrada em outras eleições, Enéas Carneiro, que há quatro anos se elegeu como o deputado federal da direita furiosa mais votado do país com 1,5 milhão de votos, continua inspirando, se é que esse é o termo mais adequado, candidatos país afora.

Tão extravagante quanto sua proposta da bomba atômica, quando ainda tentava a Presidência da República, é a de um certo Xeque Humberto, candidato ao governo do Rio Grande do Norte pelo nanico PTC. A indumentária legitimamente saudita justifica o que ele “vendeu” como “proposta das arábias”: implantação de um trem bala ligando Natal a Mossoró e Caicó, instalação de refinarias de petróleo e, acredite se quiser, leite encanado. Isso mesmo. Segundo o aloprado, como diria Lula, toda casa teria uma torneira jorrando o mais puro leite de vaca. O nome do projeto? Milk-Xeque, claro.

De Sergipe, vem José Ribeiro, também conhecido como “Rola”. Vestindo-se ao melhor estilo “Falcão”, se introduz na eleição sergipana como antídoto à corrupção na política e, de braços abertos, apregoa aos quatros ventos: “Rola neles!”. Um slogan pornô, no mínimo.

Belém, que não poderia ficar fora dessa gincana pornô-carnavalesco-eleitoral, compareceu, entre outros, com o folclórico Wanderley Andrade, o bregueiro de madeixas caleidoscópicas, encabeçando a lista dos mais, digamos, exóticos candidatos a cargo público da temporada. Com seu clássico da cultura brega-pop “O Ladrão”, prometeu roubar apenas o coração das eleitoras. Foi gongado pelo eleitor, que não é bobo.

Estas eleições podem até não resultar em mudança imediata nos rumos do país ou nos índices de corrupção parlamentar, mas, em todo caso, como diria um Enéas humorístico, ao menos serviram para causar manifestações espontâneas de alegria caracterizadas visualmente pela contração dos músculos da face, deixando à mostra os dentes.

Mala direta

Magoou
E já que o assunto da vez são as eleições, a Globo realmente magoou com a ausência de Lula no último debate. Será que eles acreditaram que o Presidente daria mesmo a cara à tapa na reta final? Bom, tem gente que acredita em saci-pererê, então, tudo é possível.

Ensaboado
Já Almir Gabriel se ensaboou para escapar do tiroteio no debate local da semana passada. Melhor assim do que não ter dado as caras. Aliás, deveria ter ido a todos eles, em respeito ao eleitor e à tão mal-tratada democracia.

Tá limpo
Funcionou mesmo a lei que proíbe os candidatos de emporcalhar a cidade com propaganda eleitoral. Afora a sujeira habitual, em comparação com outros anos, foi digamos normal o lixo deixado para os garis limparem hoje.

 

- Esta coluna também é publicada no Jornal O Diário do Pará -

criado por apoena.augusto    15:17 — Arquivado em: Sem categoria

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