23.10.06
Jogada de Marketing
A frase que dá título a esta matéria serve como uma luva para interpretar todo tipo de atitude escusa, fraudulenta ou, no mínimo, passiva de investigação que se possa imaginar.
Sem entrar no mérito do sucesso ou fracasso dos exemplos, quando o "Fome Zero" foi lançado, no início do governo Lula, não passava de uma "jogada de Marketing" escondida por trás do que deveria ser um programa social de distribuição de renda para famílias abaixo da linha de pobreza.
Quando Bono Vox rodou o mundo defendendo os famintos e desabrigados, lá vieram implacáveis as críticas sobre as reais intenções do vocalista da banda U2.
Sting então, coitado, nem se fala. Foi pisoteado pela mídia por querer ajudar a causa indígena na Amazônia alguns nem tão distantes anos atrás. Aborígines esses que, como se sabe, andam de pick-up, usam celular, têm televisão de plasma e que são tão ou mais consumistas de coisas do mundo moderno quanto ele.
Mas a bola da vez é a pop star Madonna. A polêmica que se criou em torno da adoção de um menino pobre africano tomou proporções tão grandes que até o pai da criança, miserável e analfabeto, já se declarou enganado pela diva após ter assinado documentos cuja natureza jurídica, segundo ele, "não podia entender".
E como polêmica, claro, produz notícias e vende, é bem provável que, pelo andar da Ferrari, Madonna, infernizada pelas declarações mundo afora sobre tudo não passar de "uma jogada de Marketing", esteja a ponto de "devolver" a criança que, na melhor das hipóteses, ganharia o bilhete premiado se conseguisse escapar, morando com o pai biológico, de ser mais um número de uma estatística de óbitos.
No final das contas, parece clara também a inabilidade dos próprios profissionais de Marketing em dizer à sociedade que a profissão está longe de ser sinônimo de trapaça ou cambalacho, mas sim, de um conjunto de ferramentas que têm a única ou principal função de encaminhar e sugerir soluções para os problemas das pessoas. E só.
Mala direta
Eco jornalismo
Quanto mais surgem denúncias de corrupção no governo, mais Lula cresce nas pesquisas. Já que, pelo jeito, não adianta mesmo remar contra essa maré, qualquer hora dessas a mídia joga a toalha e adere ao jornalismo à lá Globo Repórter: matérias super interessantes sobre a reprodução das lontras marinhas do Pacífico Sul. Deve dar ótima audiência. Ou não.
Coca-Cola do futebol
Pelé está, definitivamente, em todas. Neste domingo, no autódromo de Interlagos, entregou ao piloto Michael Schumacher um troféu em homenagem à sua carreira vitoriosa. Encerrou, humildemente, conferindo a ele o título de "Pelé da Formula 1".
Vermelho, de raiva
Por falar em "Schummy", antes de se despedir das pistas, Schumacher deu uma corridinha até a Daslu, o templo do consumo de alto luxo paulistano. Saiu de lá aborrecido com uma fotógrafa que lhe flagrou torrando alguns quilômetros em dinheiro na investigada loja. Vai ver o quase ex-todo-poderoso das pistas não queria que se soubesse que ele também pechincha.
- Esta coluna também é publicada no jornal O Diário do Pará -


criado por apoena.augusto
23:06 — Arquivado em:
Comentário por Fred Guerreiro — 24.10.06 @ 2:24
Caso Madonna: pudesse o guri entender e falar, o que diria, ein? Será que o que querem é que ele faça parte de mais uma estatÃstica da indigência africana? Não dá para entender. É algo que vai além da burrice. Em alguns anos, poderia ele voltar e encher a barriga de muitos dos seus como nunca na vida, que nem aquela modelo que sofreu horrores nas mãos dos pais, sofreu até infibulação, mas, adotada por uma famÃlia de norte-americanos, ganhou o mundo e milhares de dólares com sua beleza e voltou para ajudar a parentada biológica (Reader’s Digest há uns quatro anos). Será que se eu oferecesse um dos meus a Madonna ela… Bem, deixa pra lá! A esse novo caso, dá-se o nome de marketing da inveja e submissão de um ignorante a um governo que sobrevive da miséria de seu povo. Será que lá existe assistência social?
Eco-jornalismo: pois é, Apoena! Lembra do antigo Mundo Animal? É o Globo Reporter atual. A Globo só não é mais parcial porque a Ana Paula Padrão foi “parcializar” no SBT. A emissora dos Marinho é o peão boiadeiro do inominável governo. Isso me faz lembrar uma canção de Zé Ramalho, parece que “…ê ôô vida de gado… povo marcado ê… povo feliz”.
Schummy: penso que a babação em torno de Schummy deveria se ater aos seus dotes como piloto. E só. O alemão, em termos de caráter, não é boa referência para os mais jovens. Nossa! Como a memória é curta! Nesse item, o alemão entrou na loja errada. Deveria comprar na Daspu.
adendo: na próxima votação saberemos se as tais pesquisas vão cair irremediavelmente no descrédito. Com isso que está aÃ, não duvido de que esteja tudo comprado. Tudo é possÃvel.
Um abraço
Fred
Comentário por Apoena — 25.10.06 @ 18:36
Se ele pudesse falar, diria: “Ô tia Madonna, deixa esse bando de malucos pra lá e me leva logo daqui!”. A última coisa que esse pessoal está pensando é no bem-estar da criança. Bem lembrado o exemplo da modelo.
Globo Repórter: quem lembra, confirma. Era um ótimo programa. Depois que resolveu adotar a linha “Mundo Animal”, ficou terrivelmente chapa branca. Ótimo exemplo de televisão para boi dormir, literalmente.
Schumacher é uma espécie de Romário da Fórmula 1. Lembra daquela célebre frase onde ele disse após um daqueles jogos onde sua estrela brilhou: “Quando eu nasci, Papai do céu apontou o dedo pra mim e disse: esse é o cara”. Ficaria perfeita na boca do Schummy, não?
Se essas pesquisas derem errado, vai ser um belo golpe na credibilidade do Ibope. Dá uma ótima pauta para coluna!
Abs!
Comentário por Fred Guerreiro — 30.10.06 @ 1:38
É, Apoena. As pesquisas não estavam tão erradas e compradas, assim. O povo brasileiro é muito além do que eu imaginava que fosse. O do Pará mais ainda. Foi “a superação”. Daqui a uns dez anos veremos os resultados. Chaves e Morales serão fichinha. Tomara eu esteja enganado, mais uma vez. Por enquanto, misericórdia é atributo que não me cabe mais.
Comentário por Apoena — 30.10.06 @ 23:57
Pois é, meu caro Fred. Do alto de sua sabedoria, o povo nos mostra que nada sabemos. Resta torcer para que ela prove nossa ignorância.