Apoena Augusto

Para quem consegue enxergar o lado B do Marketing. E ainda se divertir com isso.

14.1.07

Coitadinhos

Ser uma celebridade ou, vá lá, apenas o mais saliente do seu bairro, tem seus prós e contras. Em alguns casos mais prós do que contras. E vice-versa.

A celebridade do esporte, por exemplo, pode nunca mais precisar comprar um par de tênis ou uma camiseta sequer para passear no parque. Na música, o felizardo talvez consiga angariar um estoque vitalício de instrumentos e, quem sabe até, um amor em cada porto.

É possível, inclusive, faturar um carrinho-de-mão ou um container de cifrões colocando a cara na telinha para vender toda sorte de coisas: de celular de última geração e fixador para dentaduras até xampu de cachorro e medicamento para levantar defunto.

Tudo isso sem falar nos vantajo$os convites para festas de todo tipo: inauguração de piscina, aniversário de poodle, 15 anos de menina rica, inauguração de viaduto e por aí vai. Enfim, uma lista interminável de coisas que não fazem certamente o mundo ficar melhor, mas que podem garantir uma vida sem contas atrasadas para pagar e ainda oferecer de bandeja, por que não, certa dose de bem-vinda fartura.

Até aí, tudo bem. O problema é que o preço da fama é do mesmo tamanho, ou até maior, dependendo do famoso, ao da falta de privacidade.

Desde sempre, há quem se interesse, e muito, pela vida de quem atingiu o estrelato. A princesa Di que o diga, claro, se ainda pudesse. Seja por meio das lentes comerciais de um paparazzi, seja por uma sórdida e destrutiva inveja, ou por pura e compreensível curiosidade em saber se aquela tão afamada pessoa é realmente feita de carnes, ossos e nervos, como qualquer respeitável ser mortal deste planeta.

Daniella Cicarelli provocou e acabou descobrindo que nesse assunto o buraco (epa!) é mais embaixo. Pior, ao invés de ficar quietinha esperando esfriar o assunto enquanto seu vídeo com cenas calientes do verão espanhol rolava solto no Youtube, resolveu pôr a boca no pior lugar que as celebridades podem encontrar para abocanhar: o trombone, o instrumento musical.

A atitude da apresentadora-modelo, que só fez colocar mais caca no ventilador da mídia, talvez tenha sido motivada por algum tipo de pressão exercida pela todo-poderosa MTV. No entanto, a reação de internautas e outros fãs da moça foi tão agressiva que causou espanto.

Houve quem dissesse que a ex-de-Ronaldinho não faria falta alguma caso fosse banida não só do Youtube como da internet inteira. Uma comunidade intitulada "Boicote a Cicarelli" foi criada no site de relacionamentos Orkut e até uma passeata em frente à sede da MTV, em São Paulo, foi organizada pelos mais radicais.

Mas espantoso mesmo é ter que acreditar que essa enxurrada de críticas à "pobre" "Cica" vem de um bando de gente que provavelmente nunca se atreveu a um bom e picante roça-roça na praia. Coitadinhos!

Mala direta

Não é piada
Estudo da Marktest feito em Portugal revelou que a palavra mais procurada na internet pelos irmãos lusos foi "Gmail", o serviço de e-mail do Google, com 389 mil acessos. Em segundo lugar veio "sexo", com 356 mil. Preferir ver mensagens a praticar o velho esporte é, no mínimo, estranho. Pra não dizer outra coisa.

Ufanismo sim…
Em Guarulhos, região metropolitana de São Paulo, uma decisão da Justiça determinou a fiscalização pelo Governo da utilização do idioma português pelo varejo e pela propaganda.

…Pero no mucho.
Segundo o juiz substituto Antônio André Muniz Mascarenhas de Souza, em nota publicada pela Folha online, anúncios, displays de lojas ou vitrines que exibam termos em inglês, - como sale, off e summer - têm que estar acompanhados pela tradução em português com o mesmo destaque. Talvez o magistrado fizesse melhor dando celeridade a seus processos, não?

Não se desespere
A Bic Service, empresa de segurança, já está comercializando em Belém o serviço de rastreamento de veículos via satélite. Vem até com botão de pânico instalado no porta-malas para o caso de seqüestro. O slogan poderia sugerir que o seqüestrado vai se sentir mais seguro.

 

- Esta coluna também é publicada no jornal O Diário do Pará -

criado por apoena.augusto    18:51 — Arquivado em: Sem categoria

2 Comentários »

  1. Comentário por Lauro Spinelli — 18.1.07 @ 23:42

    Caro Apoena Augusto (VB),

    Será que o roça-roça na praia não foi previamente programada? Afinal, não teria forma melhor de mudar o estigma de mais uma Ronaldinha do que ser lembrada como uma periguete de praia? Ela sempre foi uma boa “marketeira”, ou será uma “marketeira” boa? É um caso a se pensar.

    Grande abraço do seu amigo,

    Lauro Spinelli

    “ninguém planeja fracassar, mas fracassa por não planejar”

  2. Comentário por Apoena — 21.1.07 @ 18:17

    Fala, Lauro!
    Não dá para dizer com absoluta certeza se o que ela fez com a repercussão do caso foi uma jogada de Marketing. Mas se foi, que belo beliscão de caranguejo no pé ela levou. Quem sabe até arrancou-lhe o sexto dedo. Ou não.

    Abs!

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