25.2.07
Tá sobrando algum?
Formandos só pensam nisso. Esportistas também. Donos de casas noturnas sonham acordados e dormindo. Com isso, é claro. Promoters de eventos, então, aí nem se fala.
Artistas plásticos, músicos, professores, órgãos públicos, prefeituras, clubes e até, pasmem, vendedores em carrinhos de açucarados e acanelados churros. Todos, em uma só voz, acreditam que precisam disso.
Talvez por conta da conjuntura econômica nacional ou, quem sabe, por comodismo ou, até mesmo, por uma pontinha de culpa das próprias empresas que têm estimulado, às vezes sem muito discernimento, esse tipo desbragado de toma-lá-dá-cá, que também pode ser chamado, aqui sem nenhuma conotação política, é dando que se recebe.
O fato é que, hoje em dia, não se faz absolutamente nada sem patrocínio. É como se, de uma hora para outra, as pessoas parassem de acreditar em suas próprias idéias e sonhos e quisessem transferir o ônus do risco da execução de um projeto para quem dispõe, supõe essa vã filosofia, de um trocado a mais para embarcar nessa aventura, podemos dizer assim.
Não há critério de escolha. Qualquer empresa pode ser "vítima" de um solene pedido de patrocínio. Não são analisadas coisas como posicionamento de mercado, valores da marca ou, básico e elementar, meu caro, o retorno que o financiador poderá obter. É como se o mercado ainda aceitasse qualquer tipo de investimento meramente institucional, sem poder mensurar seu retorno financeiro.
- Sua marca vai estar lá, bem bonita, em um painel de tanto por tanto, além de mil cartazes e na assinatura do outdoor, junto com meus outros vinte patrocinadores. É uma ótima mídia, não? – argumenta um hipotético candidato a uma graninha fácil.
Ótima? Há controvérsias. Patrocínios precisam ter uma relação íntima entre empresa e patrocinado, se tornando praticamente negócios siameses. Não é à toa que a gigante Ambev, fabricante da Skol, por exemplo, patrocina o megaevento de música eletrônica Skol Beats, numa clara tentativa de aproximar e estimular o consumo da cerveja entre os jovens baladeiros.
Voltando um pouco no tempo, outro excelente exemplo de patrocínio bem sucedido foi o da pastoril Parmalat ao time do Palmeiras. Esportes andam com saúde a tiracolo, e saúde, como se sabe, pressupõe consumo de leite, muito leite, em doses bovinas, digamos. Em tempos de carnaval, não custa lembrar a folia de marcas famosas nos camarotes de ricos e celebridades fazendo caras e bocas na Sapucaí. Ou na Aldeia Cabana, vá lá. Tudo a ver.
Na hora de escolher a quem ou o quê patrocinar, critério na seleção do parceiro não faz mal a ninguém. Ao contrário, bom negócio, ensina o dito popular, só é bom quando todos ganham.
Mala direta
Vai encarar?

Ainda sobre o tema "ninguém faz mais nada sem pedir patrocínio", aí vai mais um exemplo na área esportiva: entre os dias 14 e 20 de maio, acontecerá em São Paulo a 6ª edição do Campeonato Brasileiro de Ioiô. Isso mesmo. Quem se habilita a bancar?
Saudade
Quem, como este colunista, era fã do jingle "vem pra Caixa você também, vem!" deve ter sentido muitas saudades depois de assistir ao último comercial da estatal. Em jingle que está agradando não se mexe, sabia?
Bolada
No filme, supostos felizardos, enquanto fazem coisas do cotidiano como aguardar a vez em um parque de diversões ou esperar o ônibus na parada, são premiados, pra não dizer outra coisa, com pancadas na cabeça, para que acordem e fiquem sabendo que ganharam uma bolada em dinheiro do título de capitalização do banco. Nem precisa ser publicitário para saber que há maneiras bem mais sutis de dizer a mesma coisa. Com a palavra, o HSBC.
- Esta coluna também é publicada no jornal O Diário do Pará -


criado por apoena.augusto
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