Apoena Augusto

Para quem consegue enxergar o lado B do Marketing. E ainda se divertir com isso.

23.4.07

Tim tim

Você aí da poltrona que entre uma zapeada e outra é obrigado a ouvir ao final do quase sempre generoso desfile da graciosa sinuosidade feminina nos comerciais de cerveja o mote “aprecie com moderação”, e não dá à mínima, não esquenta, pode continuar prestando atenção ao que interessa: a cerveja, claro, e aos remelexos se for apreciador, naturalmente.

A Anvisa - Agência Nacional de Vigilância Sanitária parece que andou tomando todas e está tentando aprovar um pacote de restrições à publicidade de cervejas no qual o principal alvo é a contraditória frase, que sugere ao mesmo tempo que se beba, mas sem se embriagar. É possível, mas…

Quando se considera que a principal função da água que passarinho não bebe é justamente desregular qualquer dispositivo de consciência responsável por dar o alarme de um eventual exagero, a ficha da contradição cai espuma abaixo pelo vaso do banheiro do barzinho.

Segundo Ruy Castro, em artigo na Folha de São Paulo, “a frase pressupõe também que os bebedores são capazes por igual de exercer essa ‘moderação’. Ela não prevê a existência dos alcoólicos potenciais - os compulsivos em geral, inclusive na bebida, e aqueles cujo organismo demora mais a acusar o álcool e dos alcoólicos na ativa, já dependentes do produto”.

E conclui dizendo que “se esses bebedores fossem capazes de estabelecer um nível racional de "moderação", a indústria de cerveja teria quebrado há muito tempo”.

Se as restrições sairão ou não do papel, só durante a próxima rodada com “moderação” ou não se saberá. Uma coisa é certa: será uma pena a eliminação da frase. Afinal, moderação e caldo de galinha não fazem mal a ninguém.

Mala Direta

Na tomada

 

O carro e a moto elétricos já existem e estão rodando. Na Europa, berço da revolução industrial. Pequenos, baratos, não poluem e podem ser abastecidos em qualquer tomada 110 ou 220 Volts. Como se vê, não é só de etanol, o combustível da moda, que vive a humanidade motorizada. A fabricante da novidade é a Nice: http://www.nicecarcompany.co.uk/home.html.

Cio controlado

Proprietários de cães preocupados com o ímpeto sexual de seus amigos de patas podem comemorar. A versão canina da boneca do amor, batizada com o sugestivo nome de hotdoll, estará em breve no mercado. Visitas vão poder freqüentar a casa dos amigos no domingo sem necessariamente precisar usar calça jeans para proteger as canelas de esfregações libidinosas.

Enfim separados

Sandy e Jr. se separaram. Sorte dela e dos nossos ouvidos.

 

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criado por apoena.augusto    13:06 — Arquivado em: Sem categoria

15.4.07

Ambush Marketing

Publicitários e marketeiros, até por dever de ofício, em nome da criatividade, adoram inventar moda. Nomes exóticos para coisas que já existem então, nem se fala. Não se trata de um tiro no próprio pé, longe disso, mas de uma constatação.

Ações promocionais de rua um pouco diferentes viraram “Marketing de guerrilha”; dicas de um amigo sobre um produto ou serviço podem significar mais do que uma simples camaradagem ou real experiência de consumo, mas sim, uma estratégia de propagação espontânea da mensagem chamada “Buzz Marketing”.

E como o mundo não pára de girar, ainda bem, lá vem mais uma novidade para tirar o sono dos empresários e executivos desavisados: “Ambush Marketing”.

Apesar do nome em inglês, a única relação com o presidente americano George W. Bush é a conotação bélica do termo, que significa emboscar o inimigo, espreitar.

Nesta modalidade de estratégia de mercado, a empresa consegue, criativa e furtivamente, fazer sua marca aparecer em eventos patrocinados pela concorrência.

Para a empresa alvo da ação, a sensação é a mesma de uma festa de despedida de solteiro (ou solteira) onde, na melhor hora, justo no momento em que a go go girl (ou go go boy) está a um passo de se livrar de todos os excessos de roupa, a (o) pretendente ao coração resolve aparecer, jurando que a festa estaria muito desanimada sem ela (ou ele).

Qualquer semelhança entre o avestruz e a atitude dos (das) festeiros (as) tem tudo a ver.

Uma dessas emboscadas recentes teve como vítima o Play Station 3, da Sony, na França. O lançamento foi feito em um Bateu-Mouche em frente à Torre Eiffel. A Microsoft, fabricante do concorrente X-Box 360, alugou e sinalizou outro Bateu-Moche e ficou dando voltas em torno da embarcação durante a festa do concorrente. Nem precisa dizer o auê que a operação provocou. Chamou mais atenção que o evento da outra. E fez a delícia dos repórteres de revistas especializadas.

E assim, profissionais de marketing e comunicação se mantém, felizmente, empregáveis.

Mala Direta

Antitítulo

Concurso publicado pela revista britânica “The Bookseller” elege os títulos de livros mais estranhos, talvez nem seja essa a palavra, do ano. Em 2007 o vencedor foi “Os Carrinhos de Supermercado Perdidos do Leste da América do Norte”. Quem sabe o autor não é um supermercadista? Aí faz sentido.

Que sorvete é esse?

Como sorvete de frutas deve estar ficando fora de moda, ou como alternativa, a sugestão do chef Heston Blumenau, do restaurante inglês “Fat Duck” (Pato Gordo, na língua pátria. Nome nada culinariamente correto em tempos de alimentação saudável), é o sorvete de ovos com bacon. Qualquer semelhança com o desjejum clássico da terra do Tio Sam pode não ser mera coincidência.

Não deixa ele ver

Uma empresa de Los Angeles criou uma bebida energética cujo principal efeito é causar supostas sensações semelhantes ao uso da cocaína. Não por acaso, o nome do drink é esse mesmo: cocaína. Melhor não mostrar para o Maradona.

Torcedor é 1000

E para não dizer que essa coluna não atacou de gol 1000, aí vai a melhor sobre o tema até agora, vinda do cartaz de um torcedor em pleno Maracanã, no clássico Vasco x Botafogo: “Romário, quer trocar seu Porsche pelo meu Gol 1000?”. Do jeito que está demorando, talvez seja uma troca justa.

 

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criado por apoena.augusto    19:07 — Arquivado em: Sem categoria

8.4.07

Eu blogo tu blogas elas blogam

Esta é para os mídias que, eventualmente, na hora de programar as peças de suas agências, caem na tentação da trilogia fácil do rádio + TV + jornal, que ainda continua muito forte, mas que aos poucos está deixando de ser hegemônica, disputando já sem algumas vantagens comparativas de antes um naco com os vários outros meios, virtuais principalmente, da hoje não tão gorducha como outrora verba dos anunciantes.

 

Quem não lembra da Melissa, aquela que nos anos 80 era uma sandália cor-de-rosa de plástico para menininhas com cara-de- Barbie ou de patricinha de filme digestivo americano exibido no horário que se dorme a sesta?

 

Pois a empresa cresceu e acompanhou os novos tempos. Tanto que sua mais recente investida para atingir o alvo adolescente de hoje é o fotolog de quatro meninas recordistas de acesso na intrometida internet: Marimoon (www.fotolog.com/marimoon), com nada menos do que 70 mil cliques diários; Ímpar (www.fotolog.com/impar); Lolly (www.fotolog.com/lolly_alves) e, com esse nome assim mesmo doido, Maluka (www.fotolog.com/maluka).

 

Segundo a empresa, Marimoon, que nada de braçada nesse promissor negócio, é a “perfeita tradução do create yourself. Seu estilo, explicado por ela como punk-gótico, cyber-clássico (seja lá o que isso afinal quer dizer), é uma mistura de roqueira princesinha que não abandona as meias cano longo listradas, sua marca registrada”.

 

E por conta dessa capacidade de gerar enorme tráfego em suas páginas e de critérios como cidade onde moram, simpatia e originalidade, as quatro meninas, além de estampar a campanha e o catálogo de inverno, foram nomeadas “embaixadoras” da marca, ficando responsáveis por representar a Melissa em eventos, tirar dúvidas das clientes, colher a opinião das internautas e repassar tudo para a turma da criação.

 

É claro que a estratégia tem lá seus riscos, afinal quem pode garantir que, num momento de maluquice descontrolada, para ficar no clima, alguma das moças ou todas elas não ponham todos os valores da marca a perder? Por outro lado, se não apostar, nunca se saberá.

 

Mala Direta

Só oitenta

E por falar em anos 80, eles definitivamente voltaram com força total, principalmente na música. Uma vez por mês uma festa com a temática dessa época, que já rendeu até programa de rádio, badala a cidade lembrando o tempo de boates que só existem hoje na memória dos mais antigos como, entre outras, Mistura Fina e Círculo Militar.

River Raid

No agito oitentão, para completar o clima da festa vista pelo retrovisor, só está faltando uns videogames Atari para os trintões se divertirem com a pré-história dos jogos eletrônicos. Nada que um patrocínio não resolva. Se a idéia emplacar, é só falar com o DJ Fábio Miranda, pai da criança.

Vã esperança

Quem tem esperança de não ouvir falar em reality show até pelo menos o próximo ano, pode ir colocando a mãozinha no controle remoto. Agora é a hora das novas celebridades terem seus 15 minutos extras de fama em dezenas de outras atrações televisivas ou não. Mas isso passa. Ou não.

Só fachada

O decreto que proíbe outdoors nas ruas de São Paulo faz de Casseb um prefeito de fachada.

 

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criado por apoena.augusto    16:57 — Arquivado em: Sem categoria

5.4.07

Flecha no pé

Até o merceeiro da esquina ou o engraxate da congestionada Presidente Vargas estão carecas de saber que falem mal, mas falem de mim não é apenas uma frase qualquer. A influência que a propaganda, os veículos e, em especial, os comunicadores exercem sobre as pessoas chega a ser, em alguns casos extremos, aterrorizador.

 

A maior e também a mais exagerada prova disso foi o pânico gerado em uma cidade americana pelo genial criador de Cidadão Kane, o cineasta Orson Wells, com a transmissão radiofônica da “Guerra dos Mundos”, em que narra dramaticamente uma suposta invasão da Terra pelos verdes e cabeçudos marcianos durante as comemorações do tradicional Halloween. Houve até quem cometesse suicídio.

 

A interpretação que mister Wells, em 1938, fez do livro “Guerra dos Mundos”, de H. G. Wells, na rádio gringa Mercury foi tão realista que até hoje a “pegadinha” inspira ações de Marketing mundo afora. A diferença hoje é que, com a velocidade da notícia, não se engana mais toda uma população com tanta facilidade, o que não significa dizer que alguns, digamos, menos atentos e não dotados do insubstituível desconfiômetro, principalmente quando se trata de pessoa pública, não estejam sujeitos a um desastroso equívoco. Acontece nas melhores famílias.

 

Isso talvez explique o mico que o líder do PSDB no Senado, Artur Virgílio (AM), pagou semana passada ao denunciar no Plenário, com direito a transmissão pela TV Senado, uma empresa que estaria tentando privatizar a Amazônia. A flecha do parlamentar amazonense acertou seu pé.

 

Na verdade, o fato denunciado não passava da transmissão de um jogo, patrocinado por uma marca de guaraná, em que a galera ouvinte para ser premiada precisava descobrir quem estava tentando roubar a fórmula da bebida.

 

Para justificar a brincadeira, a empresa fabricante declarou que aderiu a uma ferramenta de Marketing inovadora e diferenciada, ainda pouco explorada, que é o alternate reality games. Brincadeira ou não, deixou um senador da República nu de arco e flecha na mão em uma selva cheia de caciques engravatados de todo o país.

 

Como toda história tem o outro lado, a “pegadinha” publicitária do guaraná ganhou as páginas de dezenas de sites e de alguns outros tantos veículos.

 

Há quem diga que a polêmica ajuda a vender produtos. Pode ser. Melhor esperar pra conferir.

 

Mala Direta

 

Sabe tudo

Após a bolinada real, a estudante brasileira de Relações Internacionais Ana Ferreira, de 18 anos, que faturou alto com a venda da foto da mão boba do príncipe William ao tablóide britânico sensacionalista The Sun, teria recebido o diploma de graduação antecipadamente. Faz sentido. De Relações Internacionais a jovem sabe tudo.

 

Pescoção

Após o flagra do rabino Henry Sobel em Palm Beach, na Flórida, onde ele foi capturado pelo circuito interno de TV de uma loja roubando gravatas, uma pergunta ficou engasgada: qual era a marca do adorno que tinha no pescoço no momento do tão badalado crime? Resumindo: qual era a grife da gravata na hora da “gravata” que levou.

 

Caras fechadas

Quem aderiu à promoção de dois anos de assinatura da revista Caras visando ganhar passagem para Nova York de graça quase ficou mal na foto. Só depois de muito esperneio e uma bem-vinda forcinha da imprensa, conseguiu marcar a passagem. Taí um a maneira rápida de se perder assinante.

 

O Marajó é belo

Já que pelo ar está tudo apagado, ou apagando, uma boa pedida é aproveitar para conhecer as belezas de seu próprio estado. Ao invés de atravessar a fronteira pelo ar, que tal dar uma voltinha pelo Marajó? Logo ali. Releve o transporte, que é de última, e boa viagem.

 

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criado por apoena.augusto    22:19 — Arquivado em: Sem categoria

Chiquita Metralha

Gigantes em seus segmentos produtivos, com saúde financeira pra dar e vender, que de uma hora pra outra metem os pés pelas mãos nos últimos tempos deixou de ser propriamente novidade. Talvez surpreenda a maioria de nós pobres mortais, crédulos por natureza, apenas isso.

A história recente dá conta de alguns leitosos exemplos como a italiana Parmalat que, ao final de 2003, endividada até a tampa da caixa Longa Vida em 11 bilhões de euros, faz boiar uma série de operações fraudulentas, derruba as ações e leva a bancarrota milhares de investidores.

Apenas dois anos antes, ao final de 2001, a mamute americana de energia Enron admitiu ter inflado artificialmente seus lucros após divulgar o esburacado resultado do terceiro trimestre daquele ano, dando, como era de se esperar, um choque mortal nas suas ações. Fez por merecer entrar no restrito rol das empresas concordatárias.

Tudo indica ainda querendo se superar, as empresas estão ficando cada vez mais criativas na maneira como arranjam sarna para se coçar.
Chiquita, que não é a da Martinica, e sim americana, que ganhou o nome em homenagem a uma peça de propaganda que ficou famosa na voz da pequena notável Carmen Miranda, a brasileira mais conhecida depois de Pelé na terra de Tio Sam, é a protagonista de uma das formas mais rápidas e eficazes de acabar de vez com uma marca.

Por se declarar culpada de financiar as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) e dar de lambuja, como disse Romário sobre o gol que esqueceu de emplacar na contagem do Gol Mil, uma graninha extra ao grupo paramilitar de extrema-direita Autodefesas Unidas da Colômbia (AUC), a megaempresa do setor de alimentação acaba de pagar ao implacável fisco americano uma multa de U$ 25 milhões.

Oficialmente a empresa declarou que os pagamentos feitos pela filial colombiana aos grupos, classificados como terroristas pelo governo norte-americano, tinham o objetivo de proteger seus funcionários, constantemente ameaçados por eles.

No entanto, de acordo com informações publicadas pelo jornal britânico The Independent, grupos de direitos humanos acusam a companhia de pagar os paramilitares não apenas visando proteger seus trabalhadores, mas também para, e aí o bicho pegou, conter as ações de líderes sindicais que agiam contra seus interesses.

Independente do motivo, não há nada que justifique o apoio de uma empresa a qualquer movimento armado, seja ele legítimo ou não. A Chiquita, com esse nome simpático, mais latino impossível, só conseguiu, isso sim, escorregar feio em uma casca… de banana, naturalmente.

Mala Direta

 

Na passarela…

Se há alguém em quem a supermodelo sem-pavio Naomi Campbell não precise arremessar nada na cabeça é da sua assessoria de Marketing, caso ela tenha uma. Aproveitar o corretivo da Justiça que lhe obrigou a limpar chãos e latrinas por uma semana para se autopromover foi, sem dúvida, um desfile de inteligência e senso de oportunidade.

Marketing pessoal

Com suas declarações sempre inspiradas, Romário, quando se aposentar, e não demora, poderia virar comentarista esportivo. Colocaria o burocrático Casagrande para escanteio e animaria as narrações, deixando menos tempo livre para o inenarrável Galvão Bueno. Os “caros amigos” telespectadores agradeceriam.

Curiosidade mórbida

Amir Vehabovicum, um bósnio de 45 anos morador da cidade de Gradiska, ao norte do país, curioso por saber, caso viesse a falecer, quem iria ao seu enterro, produziu o próprio funeral e convidou os amigos para a cerimônia. O morto-vivo, ou vivo-morto, pagou por um falso certificado de óbito e subornou os coveiros para fingir seu enterro em um caixão vazio.

E olhe lá

Escondido, constatou que apenas sua idosa mãezinha compareceu. Se ela chorou, ninguém sabe, ninguém viu.

- Esta coluna também é publicada no jornal O Diário do Pará -

criado por apoena.augusto    21:32 — Arquivado em: Sem categoria

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