5.4.07
Flecha no pé
Até o merceeiro da esquina ou o engraxate da congestionada Presidente Vargas estão carecas de saber que falem mal, mas falem de mim não é apenas uma frase qualquer. A influência que a propaganda, os veículos e, em especial, os comunicadores exercem sobre as pessoas chega a ser, em alguns casos extremos, aterrorizador.
A maior e também a mais exagerada prova disso foi o pânico gerado em uma cidade americana pelo genial criador de Cidadão Kane, o cineasta Orson Wells, com a transmissão radiofônica da “Guerra dos Mundos”, em que narra dramaticamente uma suposta invasão da Terra pelos verdes e cabeçudos marcianos durante as comemorações do tradicional Halloween. Houve até quem cometesse suicídio.
A interpretação que mister Wells, em 1938, fez do livro “Guerra dos Mundos”, de H. G. Wells, na rádio gringa Mercury foi tão realista que até hoje a “pegadinha” inspira ações de Marketing mundo afora. A diferença hoje é que, com a velocidade da notícia, não se engana mais toda uma população com tanta facilidade, o que não significa dizer que alguns, digamos, menos atentos e não dotados do insubstituível desconfiômetro, principalmente quando se trata de pessoa pública, não estejam sujeitos a um desastroso equívoco. Acontece nas melhores famílias.
Isso talvez explique o mico que o líder do PSDB no Senado, Artur Virgílio (AM), pagou semana passada ao denunciar no Plenário, com direito a transmissão pela TV Senado, uma empresa que estaria tentando privatizar a Amazônia. A flecha do parlamentar amazonense acertou seu pé.
Na verdade, o fato denunciado não passava da transmissão de um jogo, patrocinado por uma marca de guaraná, em que a galera ouvinte para ser premiada precisava descobrir quem estava tentando roubar a fórmula da bebida.
Para justificar a brincadeira, a empresa fabricante declarou que aderiu a uma ferramenta de Marketing inovadora e diferenciada, ainda pouco explorada, que é o alternate reality games. Brincadeira ou não, deixou um senador da República nu de arco e flecha na mão em uma selva cheia de caciques engravatados de todo o país.
Como toda história tem o outro lado, a “pegadinha” publicitária do guaraná ganhou as páginas de dezenas de sites e de alguns outros tantos veículos.
Há quem diga que a polêmica ajuda a vender produtos. Pode ser. Melhor esperar pra conferir.
Mala Direta
Sabe tudo

Após a bolinada real, a estudante brasileira de Relações Internacionais Ana Ferreira, de 18 anos, que faturou alto com a venda da foto da mão boba do príncipe William ao tablóide britânico sensacionalista The Sun, teria recebido o diploma de graduação antecipadamente. Faz sentido. De Relações Internacionais a jovem sabe tudo.
Pescoção

Após o flagra do rabino Henry Sobel em Palm Beach, na Flórida, onde ele foi capturado pelo circuito interno de TV de uma loja roubando gravatas, uma pergunta ficou engasgada: qual era a marca do adorno que tinha no pescoço no momento do tão badalado crime? Resumindo: qual era a grife da gravata na hora da “gravata” que levou.
Caras fechadas
Quem aderiu à promoção de dois anos de assinatura da revista Caras visando ganhar passagem para Nova York de graça quase ficou mal na foto. Só depois de muito esperneio e uma bem-vinda forcinha da imprensa, conseguiu marcar a passagem. Taí um a maneira rápida de se perder assinante.
O Marajó é belo

Já que pelo ar está tudo apagado, ou apagando, uma boa pedida é aproveitar para conhecer as belezas de seu próprio estado. Ao invés de atravessar a fronteira pelo ar, que tal dar uma voltinha pelo Marajó? Logo ali. Releve o transporte, que é de última, e boa viagem.
- Esta coluna também é publicada no jornal O Diário do Pará -


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