Apoena Augusto

Para quem consegue enxergar o lado B do Marketing. E ainda se divertir com isso.

27.5.07

Eu tenho e você não

- Eu sou John Nike, agente de Marketing de Guerrilha, Produtos Novos.
- Hack Nike.
- Começamos a vender os Mercury há seis meses. Sabe quantos pares já vendemos?
Hack balançou a cabeça. Cada par custava milhares de dólares.
- Um milhão? arriscou Hack.
- Duzentos.
- Duzentos milhões?
- Não, duzentos pares.
- O nosso John aqui – disse o outro John – foi pioneiro no conceito de marketing por recusa de vender produtos. Isso deixa o mercado louco.
- E agora está na hora de tirar proveito. Na sexta-feira, vamos jogar quatrocentos mil pares no mercado a dois mil e meio cada. Mas o negócio é o seguinte, Hack; se as pessoas perceberem que cada Shopping Center do país tem os Mercury, vamos perder todo o prestígio que nos deu trabalho para montar. Estou certo?
- Está.
- Então o que vamos fazer?
Hack balançou a cabeça.
- Vamos atirar neles – disse o VP John. – Vamos matar todos que comprarem um par.
- O quê? - perguntou Hack.
O outro John disse:
- Bem, não todo mundo, obviamente. Achamos que só temos que apagar… o que foi que decidimos? Cinco?
- Dez – disse o VP.
- Certo. Apagamos dez clientes, fazemos com que pareça coisa de garotos do gueto e teremos a credibilidade das ruas entrando sem parar. Aposto que vamos acabar com o estoque em vinte e quatro horas.

 

Antes que alguém levante a bandeira da instalação de uma CPI para investigar se o diálogo acima foi gravado com autorização da Justiça e, claro, se a megamarca de calçados enlouqueceu, é bom que se esclareça que ele foi extraído do livro EU S/A, escrito por Max Barry, e se passa em um futuro próximo onde o sobrenome das pessoas foi substituído pelo nome da empresa na qual ela trabalha.

 

Esse cenário, no qual quem não tem de onde tirar o leite das crianças também não tem direito a sobrenome, de forma um tanto quanto exagerada, ilustra uma estratégia de marketing na qual, para gerar a supervalorização, após o lançamento, a empresa “se recusa” a vender o produto.

 

O objetivo é, na prática, através da comercialização de itens “série limitada”, ou seja, fabricados com alguma coisa de inovador e em quantidades muito inferiores ao normal, conseguir além de mídia espontânea, um confortável boca a boca.

 

De quebra ainda é possível dar um bico para cima nos preços por conta do desejo de consumo exacerbado gerado pelos moderninhos, sempre fissurados em exclusividade.

 

Se o truque dá certo? É só perguntar para Nike, Adidas, Puma, Reebok, Asics…

Mala Direta

Último passeio

Nos Estados Unidos, a empresa funerária Moloney Family Funeral Homes investiu o equivalente a R$ 200 mil para construir carruagens no estilo do século XIX puxadas por motocicletas Harley Davidson. Os aficionados pelo ícone de duas rodas já podem morrer mais tranqüilos.

Pode vir, pode chegar.

Podem vir todas as franquias de lanchonete do mundo, mas nenhuma faz um sanduíche tão saboroso quanto o do nosso Miléo. Carne de verdade com pão de verdade e, de quebra, bom papo com o próprio.

Justo

É por isso que foi mais do que merecido o prêmio recebido por ele durante o lançamento da Veja Belém – o Melhor da Cidade, edição especial Gastronomia. Miléo não confirma, mas há quem diga que o segredo do sucesso está naquela gordurinha que fica na chapa. É, pode ser!

- Esta coluna também é publicada no jornal O Diário do Pará -

criado por apoena.augusto    14:45 — Arquivado em: Sem categoria

20.5.07

Bicho também é gente

“Eu, Marie, convido você para minha festinha de aniversário onde comemoraremos meus 3 anos de vida. Não perca! Vamos nos divertir muito juntos.”

Qualquer cartão de aniversário comprado na papelaria da esquina poderia trazer o texto acima. Até aí, nada de mais. O que chama atenção é que Marie é nada menos que uma peluda cadelinha poodle, e sua festinha muito au-au, regada a bolo de uvas e biscoito canino, foi orçada – veja só caro leitor – em R$ 2.500. Bem mais do que muito aniversário de bebês, bacanas e patricinhas, por exemplo.

Segundo Rodrigo Silva, coordenador de adestramento do Clube do Toddy, escola localizada na zona oeste de São Paulo, muitos donos vêem nessas comemorações uma oportunidade para compensar o tempo que ficam afastados dos animais queridos por causa do trabalho.
Além disso, também contribui o fato de que a vergonha que as pessoas tinham antes de gastar seu rico dinheirinho imitando as mordomias da socialite Vera Loyola com sua cadela Pepezinha parece ter sido de vez enterrada no quintal, junto com o osso, de plástico, claro.

Hannelore Fuchs, veterinária, psicóloga e especialista na relação entre homens e outros animais explica que “são exemplos da mudança de papel do bicho na sociedade, de uma função utilitária para o animal de estimação na acepção da palavra (…) substituindo a falta de relações desse mundo virtual”.

Se por carência ou vaidade, tanto faz, o fato é que um mercado bilionário nasceu em torno das necessidades (artificiais?) dos amigos de quatro patas. Só no ano passado, segundo a revista Época, apenas em ração, o equivalente a R$ 1,8 bilhão foram literalmente mastigados, triturados melhor dizendo, pelas resistentes e sempre temidas presas de totós e Cia.

Junte-se a isso shampoos, ossos, escovas, coleiras, roupas e toda uma sorte de produtos que são o último latido entre essa raça de privilegiados e está garantido o sucesso desse inovador comércio.
Diante de um mercado tão promissor, dá até vontade de tentar dar uma mordidinha nesse mundo cão.

Mala Direta

Boa de boca

Depois que Tania Derveaux, candidata ao Senado belga, passou a oferecer sexo oral aos seus eleitores, marqueteiros políticos de todo o mundo estão revendo as estratégias de campanha de seus clientes. De repente, prometer emprego parece não ser mais tão interessante assim.

Dolly de borracha



As bem-sucedidas sandálias Havaianas ganharam um clone na terra de Cervantes: Bahianas é o nome da “gêmea” espanhola daquelas que não deformam, não têm cheiro e não soltam as tiras. A logomarca ainda traz a inscrição “Las originales” no solado. La garantía soy yo!

Barato sai caro



Trinta e oito reais é o valor equivalente na moeda verde e amarela do aparelho DVD vendido pela rede de varejo inglesa ASDA. O equipamento é fabricado na China, claro, e se chama Durabrand. É bonito e barato. Se ele é bom, aí são outros quinhentos…

- Esta coluna também é publicada no jornal O Diário do Pará -

criado por apoena.augusto    22:23 — Arquivado em: Sem categoria

13.5.07

O Papa é pop

Se Paulo ou Bento, para os fiéis, parece não fazer a menor diferença. Ou melhor, faz sim, é claro, mas o que interessa, mesmo, é a figura emblemática. Carismática, para a imensa nação católica aqui e no resto do planeta. Enfim, o papa veio e mostrou aos brazucas que sim, ele continua mais pop do que nunca. Suas repetidas aparições, para abençoar a multidão, dizem tudo.

E como qualquer superatração como U2 ou Rolling Stones, todos os números são de deixar qualquer um, católico ou não, de queixo caído.
Durante a passagem de Bento XVI pela capital paulista, segundo a redação do Terra, 15 tipos de vinhos terão sido consumidos, todos sul-americanos, sendo o chileno Seña 2001 o mais caro. Sua santíssima degustação custará aos patrocinadores da divina visita – contribuintes inclusos - a bagatela de R$ 348 cada garrafa. O mesmo preço do Concha y Toro, outro chileno da lista. Dentre todos os tipos de vinhos selecionados - cinco brasileiros - o consumo estimado é de 500 garrafas em três dias. Haja fígado!

Mas não é só no consumo de bebidas que a conta sobe aos céus. Quase não se fala, mas de acordo com a Folha, só a reforma do seminário onde o pontífice contou os carneirinhos em cama de lençóis de linho puro, nada menos do que R$ 6 milhões foram gastos. Pouco mais da metade doados pela iniciativa privada, de olho em uma provável absolvição dos pecados, quem sabe.

Também chamam atenção as novas 60 TVs de plasma da Basílica de Aparecida, o cálice em ouro, prata e bronze de R$ 3.500 da missa no Campo de Marte, as toalhas e os lençóis de marca bordados para Bento e as mais de 400 peças de porcelana francesa feitas exclusivamente para o visitante.

Tudo isso sem falar em coisas como segurança, maior que a escalada para proteger Bush, ambulâncias, postos de saúde e os hospitais para as pessoas que integraram a ilustre comitiva do peregrino, as obras no Campo de Marte, o recapeamento de ruas (deve ser pecadinho chacoalhar o Papa) e a construção de um reservatório de água em Aparecida, os folhetos das missas, e as vestes, a alimentação e a hospedagem dos bispos que participaram do encontro com Bento XVI na Catedral da Sé.

Somando tudo, a conta fecha em torno de R$ 20 milhões, divididos entre Igreja, pessoas voluntárias, empresas e cofres públicos, valor que D. Manoel Parrado Cabral, bispo que organizou a parte paulistana da visita papal, em nota sobre os “benefícios da viagem de Bento XVI”, afirma representar apenas 1/3 do que a cidade de São Paulo terá arrecadado com turismo e demais serviços.

Pode ser, mas faltou incluir nesta conta a parte profana da festa. Airton Lee, por exemplo, tinha a meta de vender 50 certificados que atestavam que o comprador viu o Papa Bento XVI. Cinco pilas cada. Santinhos e medalhas com a imagem de Joseph Ratzinger poderiam ser levadas em pacotes de três por R$ 5. Camisetas entre R$ 10 e R$ 20.

Já que Airton, quando pagou seus impostos, deu uma “forcinha” do próprio bolso para trazer Sua Santidade, não deverá ter problemas para ganhar a absolvição na hora do juízo final. Amém.

Mala Direta

Tá na hora, né?

Durante uma pesquisa realizada pela BBDO Worldwide em 21 países com o intuito de ajudar as empresas a participar com seus produtos dos rituais que os consumidores fazem ao longo do dia, descobriu-se que 41% dos chineses marcam hora para o sexo.

Ô, seu mídia!

Descobriu-se também que 44% dos brasileiros lêem enquanto estão no banheiro. Ou seja, vender relógios para chineses parece um bom negócio, mas anunciar papel higiênico em revista deve ser melhor ainda.

Conclusão

Se o comércio comemorasse o Dia das Mães duas vezes ao ano o Natal estaria com os dias contados.

- Esta coluna também é publicada no jornal O Diário do Pará -

criado por apoena.augusto    17:21 — Arquivado em: Sem categoria

6.5.07

Invejoso eu!

 

Estudos desenvolvidos pela University of Southern Califórnia comprovaram por xis mais ípsilon o que há muito se sabe, ou no mínimo se desconfia: de todos os pecados capitais o que mais rápido leva o incauto a queimar no mármore do inferno é a… inveja.

Segundo o trabalho, um aumento de 100% no salário dos colegas de escritório tornaria pouco interessante um recheio 80% mais gordo no próprio bolso para a maioria dos entrevistados. Por outro lado, caso o patrão fosse 40% mais generoso com os colegas, mas 50% com o entrevistado, a felicidade seria total diante da insatisfação alheia.

A principal conclusão do estudo, dizem os especialistas, é que a maior fonte da infelicidade humana não advém da incapacidade de se ter tudo o que se almeja, mas sim, da comparação das próprias conquistas com o sucesso ou fracasso do cidadão que estiver mais próximo.

Em razão disso, ainda de acordo com os pesquisadores, atingido um determinado ponto na escala de conforto pessoal, o dinheiro não traria mais felicidade, derrubando uma das frases mais célebres e controversas da história da humanidade. E bota controvérsia nisso.

Sendo assim, roupas de grife, relógios caros, viagens, casas e carros de luxo, alguns dos milhares de ícones de uma vida de sucesso pessoal e profissional, proporcionariam apenas prazer efêmero, além de despertar a cobiça do cunhado e do vizinho bisbilhoteiro, principalmente.

Está aí uma excelente explicação para o conceito aplicado à comunicação de várias marcas que apelam justamente para a felicidade como argumento de venda.

Então é comprar e sorrir, mas com a certeza de que a fatura virá.

 

 

Mala Direta

 

Fila de espera

Tati Quebra-Barraco, funkeira que ficou famosa cantando músicas (?) que viraram hits como “Boladona”, “Dako é bom” e “Sou feia, mas tô na moda” diz que só posa nua pela bagatela de meio milhão de reais. Talvez ela deva esperar sentada pela sonhada proposta porque em pé cansa.

Quebra-revista

De qualquer forma, uma corajosa revista masculina teria oferecido R$ 230 mil para estampar o corpinho à lá Preta Gil da representante peso-pesado dos morros cariocas. Melhor esperar pra ver no que vai dar.

Justo

O controverso site de vídeos You Tube, segundo seu CEO Eric Schmidt, em breve, passará a remunerar com parte da receita publicitária os usuários que se mostrarem grandes geradores de tráfego. Quem tiver pérolas como o impagável “Fala Sônia”, hit brazuca com mais de 800 mil visualizações, que fique atento: pode ter dindin na rede.

Vendedores na corda bamba

Essa é para arrepiar os cabelos da CUT e de ONGS do ramo. No Japão acaba de ser inaugurada uma loja chamada UNIQLO onde todos, sim, todos os vendedores foram substituídos por máquinas do tipo vending machines, semelhantes àquelas nas quais se compram refrigerantes.

O mundo gira.

As engenhocas estão espalhadas por toda a loja e, através delas, o consumidor pode escolher entre uma infinidade de modelos de camisetas, de todos os tipos e tamanhos. Basta proceder como se estivesse adquirindo uma soda limonada. Na dúvida, uma tela de cristal líquido faz a vez de vendedor. Não demora as máquinas criam os seus sindicatos, e, assim, segue a vida, com os mesmos aperreios de sempre.

 

- Esta coluna também é publicada no jornal O Diário do Pará -

criado por apoena.augusto    19:12 — Arquivado em: Sem categoria

2.5.07

Crime sem castigo

Buscar soluções para os problemas faz parte da luta incansável do homem desde a descoberta do fogo e da invenção da roda, para citar dois exemplos tidos como marcos do início da civilização como a conhecemos. É da natureza humana, é o que nos diferencia dos outros animais. Essa capacidade, para encurtar a conversa, nos fez chegar à Lua, entre outros feitos pacíficos, mas também produziu a bomba atômica, paciência.

Quando a mente dos “Professores Pardais” funciona para o bem tudo são flores. Desde uma forma mais barata de locomoção a uma maneira eficiente e menos cansativa de desentupir pia, o homem não desiste, ainda bem, de colocar a cuca para funcionar em prol da melhoria da qualidade de vida.

 
Assim, não surpreende que diante de uma quantidade tão grande de mensagens publicitárias dividindo os mesmos espaços a torto e a direito, alguém inventasse uma forma mais criativa que uma testeira ou um stopper para chamar a atenção do exigente consumidor.

 
Em uma livraria, diante de uma prateleira recheada de opções de livros de mistério, por exemplo, uma voz semelhante à da própria consciência dispara: “Ei, pode me ouvir? Já pensou em assassinato?”. O áudio, transmitido de forma personalizada como se fosse um foco de luz, além de provavelmente provocar um baita susto, fala diretamente ao possível cliente como se fosse uma pessoa cochichando.

A mídia, batizada de “Áudio dirigido”, foi criada pela empresa americana Holosonic Research Labs e está sendo testada por gigantes como Procter & Gamble e Best Buy. Também está sendo utilizada para vender cereais em alguns supermercados e em peças de mídia em aeroportos e shoppings da terra do Tio Sam.

Parece uma excelente maneira de chamar atenção individualmente, no entanto, do jeito que os ânimos andam exaltados nos Estados Unidos, talvez lá não seja o melhor lugar para se testar o invento. Vai que alguém não entende o apelo comercial… Daí pra uma tragédia é um passo.

Mala Direta

Público-alvo


A loiraça Fani, ex-BBB que a Playboy estampa na última edição, durante uma tarde de autógrafos na Bahia, incorporou o espírito Xuxa e autografou revistas para “baixinhos”. Se resolver mesmo seguir os passos da “Rainha”, daqui a pouco estará na telona papando anjinhos. No bom sentido, claro.

Tudo a ver

Não é má idéia o ex-presidente Ieltsin virar marca de vodka na Rússia. Se ela provocar aquela euforia que fazia o velho dirigente quebrar protocolos, tem tudo pra dar certo. Sem ressaca, naturalmente.

Tira-riscos

 

E por falar em lançamentos, a empresa americana VenMill acaba de disponibilizar no mercado o Skip-Away, um equipamento que promete tirar definitivamente os riscos daqueles CDs que o filhão resolveu pegar emprestado para brincar de skate. Por R$ 515, nada mais inútil em tempos de MP3.

criado por apoena.augusto    23:07 — Arquivado em: Sem categoria

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