13.5.07
O Papa é pop


Se Paulo ou Bento, para os fiéis, parece não fazer a menor diferença. Ou melhor, faz sim, é claro, mas o que interessa, mesmo, é a figura emblemática. Carismática, para a imensa nação católica aqui e no resto do planeta. Enfim, o papa veio e mostrou aos brazucas que sim, ele continua mais pop do que nunca. Suas repetidas aparições, para abençoar a multidão, dizem tudo.
E como qualquer superatração como U2 ou Rolling Stones, todos os números são de deixar qualquer um, católico ou não, de queixo caído.
Durante a passagem de Bento XVI pela capital paulista, segundo a redação do Terra, 15 tipos de vinhos terão sido consumidos, todos sul-americanos, sendo o chileno Seña 2001 o mais caro. Sua santíssima degustação custará aos patrocinadores da divina visita – contribuintes inclusos - a bagatela de R$ 348 cada garrafa. O mesmo preço do Concha y Toro, outro chileno da lista. Dentre todos os tipos de vinhos selecionados - cinco brasileiros - o consumo estimado é de 500 garrafas em três dias. Haja fígado!
Mas não é só no consumo de bebidas que a conta sobe aos céus. Quase não se fala, mas de acordo com a Folha, só a reforma do seminário onde o pontífice contou os carneirinhos em cama de lençóis de linho puro, nada menos do que R$ 6 milhões foram gastos. Pouco mais da metade doados pela iniciativa privada, de olho em uma provável absolvição dos pecados, quem sabe.
Também chamam atenção as novas 60 TVs de plasma da Basílica de Aparecida, o cálice em ouro, prata e bronze de R$ 3.500 da missa no Campo de Marte, as toalhas e os lençóis de marca bordados para Bento e as mais de 400 peças de porcelana francesa feitas exclusivamente para o visitante.
Tudo isso sem falar em coisas como segurança, maior que a escalada para proteger Bush, ambulâncias, postos de saúde e os hospitais para as pessoas que integraram a ilustre comitiva do peregrino, as obras no Campo de Marte, o recapeamento de ruas (deve ser pecadinho chacoalhar o Papa) e a construção de um reservatório de água em Aparecida, os folhetos das missas, e as vestes, a alimentação e a hospedagem dos bispos que participaram do encontro com Bento XVI na Catedral da Sé.
Somando tudo, a conta fecha em torno de R$ 20 milhões, divididos entre Igreja, pessoas voluntárias, empresas e cofres públicos, valor que D. Manoel Parrado Cabral, bispo que organizou a parte paulistana da visita papal, em nota sobre os “benefícios da viagem de Bento XVI”, afirma representar apenas 1/3 do que a cidade de São Paulo terá arrecadado com turismo e demais serviços.
Pode ser, mas faltou incluir nesta conta a parte profana da festa. Airton Lee, por exemplo, tinha a meta de vender 50 certificados que atestavam que o comprador viu o Papa Bento XVI. Cinco pilas cada. Santinhos e medalhas com a imagem de Joseph Ratzinger poderiam ser levadas em pacotes de três por R$ 5. Camisetas entre R$ 10 e R$ 20.
Já que Airton, quando pagou seus impostos, deu uma “forcinha” do próprio bolso para trazer Sua Santidade, não deverá ter problemas para ganhar a absolvição na hora do juízo final. Amém.
Mala Direta
Tá na hora, né? 
Durante uma pesquisa realizada pela BBDO Worldwide em 21 países com o intuito de ajudar as empresas a participar com seus produtos dos rituais que os consumidores fazem ao longo do dia, descobriu-se que 41% dos chineses marcam hora para o sexo.
Ô, seu mídia!
Descobriu-se também que 44% dos brasileiros lêem enquanto estão no banheiro. Ou seja, vender relógios para chineses parece um bom negócio, mas anunciar papel higiênico em revista deve ser melhor ainda.
Conclusão
Se o comércio comemorasse o Dia das Mães duas vezes ao ano o Natal estaria com os dias contados.
- Esta coluna também é publicada no jornal O Diário do Pará -


criado por apoena.augusto
17:21 — Arquivado em:
Comentário por Danton — 14.5.07 @ 15:10
Tudo isso pro camarada dar um chega aqui e dizer que o homem deve se manter casto… mesmo no casamento.
Pô Santo Padre!
Casei, até passei pro meu nome! Se não for eu, a terra há de comer!
Comentário por Apoena — 14.5.07 @ 21:37
É por isso que há quem diga que, por essas e outras, João Paulo II era mais “pop” que Bento. Eu concordo!
Comentário por Juraci — 15.5.07 @ 20:45
Será que nessa visitinha de 20 milhões deu pro Papa, lá de Aparecida (SP), perdoar os pecados dos cariocas também? Eu queria tanto que o Rio deixasse de ser a Faixa de Gazza!…
Comentário por Apoena — 15.5.07 @ 21:39
O que seria da Igreja se não fosse o perdão? No entanto, não deve fazer muita diferença para a nossa versão brazuca dos talibãs.