20.5.07
Bicho também é gente

“Eu, Marie, convido você para minha festinha de aniversário onde comemoraremos meus 3 anos de vida. Não perca! Vamos nos divertir muito juntos.”
Qualquer cartão de aniversário comprado na papelaria da esquina poderia trazer o texto acima. Até aí, nada de mais. O que chama atenção é que Marie é nada menos que uma peluda cadelinha poodle, e sua festinha muito au-au, regada a bolo de uvas e biscoito canino, foi orçada – veja só caro leitor – em R$ 2.500. Bem mais do que muito aniversário de bebês, bacanas e patricinhas, por exemplo.
Segundo Rodrigo Silva, coordenador de adestramento do Clube do Toddy, escola localizada na zona oeste de São Paulo, muitos donos vêem nessas comemorações uma oportunidade para compensar o tempo que ficam afastados dos animais queridos por causa do trabalho.
Além disso, também contribui o fato de que a vergonha que as pessoas tinham antes de gastar seu rico dinheirinho imitando as mordomias da socialite Vera Loyola com sua cadela Pepezinha parece ter sido de vez enterrada no quintal, junto com o osso, de plástico, claro.
Hannelore Fuchs, veterinária, psicóloga e especialista na relação entre homens e outros animais explica que “são exemplos da mudança de papel do bicho na sociedade, de uma função utilitária para o animal de estimação na acepção da palavra (…) substituindo a falta de relações desse mundo virtual”.
Se por carência ou vaidade, tanto faz, o fato é que um mercado bilionário nasceu em torno das necessidades (artificiais?) dos amigos de quatro patas. Só no ano passado, segundo a revista Época, apenas em ração, o equivalente a R$ 1,8 bilhão foram literalmente mastigados, triturados melhor dizendo, pelas resistentes e sempre temidas presas de totós e Cia.
Junte-se a isso shampoos, ossos, escovas, coleiras, roupas e toda uma sorte de produtos que são o último latido entre essa raça de privilegiados e está garantido o sucesso desse inovador comércio.
Diante de um mercado tão promissor, dá até vontade de tentar dar uma mordidinha nesse mundo cão.
Mala Direta
Boa de boca 
Depois que Tania Derveaux, candidata ao Senado belga, passou a oferecer sexo oral aos seus eleitores, marqueteiros políticos de todo o mundo estão revendo as estratégias de campanha de seus clientes. De repente, prometer emprego parece não ser mais tão interessante assim.
Dolly de borracha

As bem-sucedidas sandálias Havaianas ganharam um clone na terra de Cervantes: Bahianas é o nome da “gêmea” espanhola daquelas que não deformam, não têm cheiro e não soltam as tiras. A logomarca ainda traz a inscrição “Las originales” no solado. La garantía soy yo!
Barato sai caro

Trinta e oito reais é o valor equivalente na moeda verde e amarela do aparelho DVD vendido pela rede de varejo inglesa ASDA. O equipamento é fabricado na China, claro, e se chama Durabrand. É bonito e barato. Se ele é bom, aí são outros quinhentos…
- Esta coluna também é publicada no jornal O Diário do Pará -


criado por apoena.augusto
22:23 — Arquivado em: