Apoena Augusto

Para quem consegue enxergar o lado B do Marketing. E ainda se divertir com isso.

29.7.07

A placa emplacou

Quem já chegou à ante-sala ou já dobrou faz algum tempo o Cabo da Boa Esperança, não importa a cor, credos ou princípios, certamente tem o ruído vivíssimo na lembrança. Era só ouvir aquele som característico, “bip, bip”, que lá vinha um possante pássaro azul a mil por hora, quebrando todos os recordes de velocidade no que parecia, para ele, um corriqueiro passeio no deserto.

 

À espreita, sempre um anoréxico coiote de garfo e faca nas mãos (ou patas), um lenço de comensal no pescoço e alguma idéia explosiva para fazer da ave papa-léguas sua tão sonhada e nunca alcançada apetitosa refeição.

 

Sem diálogos, mesmo que o democrático mundo dos desenhos permita falas entre animais, o esquelético e feioso mamífero que nem lobo é se comunica com o atento telespectador apenas por meio de placas, que são expostas como outdoors nas horas mais periclitantes, como uma queda de precipício ou um atropelamento de trem, por exemplo.

 

Pois essa foi justamente a inspiração da editora nipo-brasileira de mangás e HQs JBC, em um projeto conjunto com a empresa Agronippo, ao lançar, segundo o departamento de marketing da editora, “uma plaquinha básica com papel cartonado e uma madeira para segurar”.

 

Acontece que a idéia literalmente emplacou e evoluiu transformando-se em verdadeiras lousas dupla-face com apagador e canetas coloridas. No último evento voltado para o segmento de animação, o Animecom, realizado em São Paulo, era possível comprar uma dessas chapas por até R$ 6.

Segundo Sérgio Peixoto, coordenador do evento, “o fã usa as plaquinhas para se identificar com outros admiradores da cultura japonesa e criar sua própria identidade naquele ambiente”.

 

Se elas são meio de comunicação ou uma simples necessidade dos 15 minutos de fama, isso não vem ao caso. A questão é que a brincadeira tomou conta dos eventos de anime e mangá país afora se tornando mais uma novidade dentre tantas que a garotada incorpora. Taí uma inovação que pode dar bom retorno para as empresas que a adotarem.

Mala Direta

Colou

Outdoor da boate “Balada Point”, no Mosqueiro, passou o mês de julho convocando os veranistas de plantão a deixar o coroa sossegado de bobeira e cair na farra com uma frase que pode não ser lá essas coisas, mas conseguiu o que queria: “O Papy na praça e você na balada. Balada Point Dance Club – Show do Verão”. Resultado: casa lotada.

 

Só 10 de 199

Para quem gosta de programas do tipo Shop Time, o paulista MixTV traz uma versão trash do original apresentado por Luiz Galebe em que a elétrica e performática proprietária da loja de móveis Sylvia Design, a própria Sylvia, apresenta suas ofertas de maneira, digamos, megafônica. Abaixe o volume e confira no You Tube: http://www.youtube.com/watch?v=eJ6oIDK3It8. Dica do Bloda, o blog do Doda.

Sorte dele

Durante a cerimônia de posse do novo ministro da Defesa, Nelson Jobim, o presidente disse o que pensa sobre a aviação brasileira: “Toda vez que o avião fecha a porta, entrego a minha sorte a Deus”. Ao menos sua excelência tem conseguido ver a porta do Aerolula fechar com ele a bordo. E chegar ao destino, naturalmente.

criado por apoena.augusto    23:48 — Arquivado em: Sem categoria

22.7.07

666 é o número da besta

Quem trafega pelos ares deste gigante Brasil tende a achar, até com justificáveis motivos diante de fatos tão evidentes quanto sangrentos, que de tempos em tempos, uma nuvem propícia a provocar turbulências que resultam em perdas de vidas, teima em pairar sob o céu, que de brigadeiro não tem nada, da empresa de aviação fundada em Marília, interior do estado de São Paulo, em fevereiro de 1961.

 

Em setembro de 1982, pouco mais de 21 anos após sua primeira decolagem, um Learjet da TAM recebe informações erradas na aterrissagem em Rio Branco, capital do Acre, e cai matando 10 pessoas.

 

Apenas dois anos depois, em junho de 1984, um avião Bandeirante da companhia cai em Macaé, no Rio de Janeiro, despachando para a última morada na terra nada menos que 18 pessoas.

 

Seis anos se passaram com tempo bom e temperatura estável até que, em fevereiro de 1990, um Fokker 27 cai em Bauru, no interior paulista, enquanto fazia a rota São Paulo-Araçatuba, matando três pessoas.

 

E a cronologia das tragédias não pára por aí. Outros seis anos se passaram até que, em outubro de 96, um Fokker 100 encaminhou aos cuidados de São Pedro nada menos que 99 pessoas, entre passageiros e tripulantes, causando o que seria o segundo maior desastre aéreo brasileiro.

 

Em julho de 2001, novamente, a nuvenzinha macabra aparece para fechar o tempo, dessa vez em dose dupla. Num acidente de helicóptero, morrem o comandante e fundador da TAM, Rolim Amaro, e sua companheira. Apenas dois meses depois, a despressurização da cabine de outra aeronave da empresa, que fez um pouso forçado no aeroporto de Confins, em Belo Horizonte, causou a morte de uma passageira.

 

Se forem contabilizadas todas as pessoas que a TAM não levou até seus destinos, aí incluídas as 187 (fora os funcionários da TAM Express) da tragédia do último dia 17 (outros seis anos se passaram desde o último acidente), somam-se 318 passageiros e tripulantes, o equivalente a pouco mais que toda a delegação brasileira feminina no Pan, de 310 atletas.

 

Mesmo com uma cronologia tão sinistra (dados da Folha de São Paulo), a Transportes Aéreos Marília, segundo a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), segue na liderança do mercado doméstico com 49,11% do fluxo de passageiros transportados por quilômetro e crescimento de 15,2% em relação ao mesmo período do ano passado, disputando turbina a turbina com a novata Gol, que detém 39,83% do mercado e teve expansão de 25,9%.

 

Felizmente a empresa sempre teve uma postura muito profissional diante das adversidades. Apenas duas horas após a tragédia em Congonhas, por exemplo, já havia sido instalada toda uma estrutura para gerenciamento de crises, os parentes foram levados até São Paulo para acompanhar os trabalhos de resgate e todas as despesas estão sendo custeadas pela companhia. O único gol contra foi a demora na liberação da lista dos passageiros a bordo do vôo.

 

No entanto, caso as investigações concluam que o problema no vôo JJ 3054 foi decorrente de falha em algum procedimento da empresa, pode-se supor que vai ser coisa de bilhão pra cima o tamanho do rombo na fuselagem da TAM. O primeiro abalo já pode ser sentido na Bolsa.

Mala Direta

Nas asas da tragédia

A maioria dos corpos ainda nem foram identificados e já há quem esteja em campanha pela desativação de Congonhas.
Por acreditar que o terminal já esgotou o seu ciclo de vida, Mentor Muniz Neto, da Bullet, e Michel Lent, da 10 Minutos, criaram um selinho “CGH NÃO”, com o objetivo de estimular o boicote ao aeroporto. Se alguém vai lhes dar ouvidos (a maioria dos paulistas é contra), só o tempo dirá.

 

Recall de imagem

 
O gesto feito por Marco Aurélio Garcia, assessor internacional de Lula, ao assistir à reportagem da TV Globo sobre a denúncia de falha mecânica na aeronave da TAM é obsceno, claro, mas é igual à imagem da garrafa da Coca-Cola: todo mundo sabe o que significa.

 

Saravá

Morte do Senador Antônio Carlos Magalhães comove a Bahia. Só a Bahia.

criado por apoena.augusto    20:39 — Arquivado em: Sem categoria

17.7.07

Maluquinhos

Vira e mexe uma pesquisa com ares catastróficos parece cair como uma empena na cabeça de alguns segmentos da mídia. Principalmente aqueles que observam, dia-a-dia, seus leitores envelhecerem e a nova geração não lhes dar muita audiência.

 

É o caso do último estudo feito pela respeitada Universidade de Harvard, nos Estados Unidos, que traz informações quentinhas sobre o comportamento dos jovens em relação ao consumo de notícias.

 

Segundo a pesquisa, pessoas abaixo da linha balzaquiana estão deixando de ler jornais ou assistir aos noticiários diariamente. No caso específico da mídia impressa, somente 16% dos que têm entre 18 e 30 anos afirmaram ler jornal todo dia. Já entre os pubescentes, este percentual cai para preocupantes 9%.

 

A principal razão para isso, ainda de acordo com o estudo, está relacionada com o descaso em construir o hábito do consumo de informações todos os dias, o que não fica muito difícil de confirmar diante de tantas opções de entretenimento disponíveis aos jovens além, naturalmente, da internet. Ciberespaço, aliás, onde Ziraldo, que dispensa apresentações, e incorporando o Menino Maluquinho, afirmou “ser o antro do débil mental”.

 

Talvez confirmando o que pensa o mestre das letras, e para piorar ainda mais a situação dos candidatos às casas de tratamento de insanidade mental, a pesquisa revela também que os jovens acreditam que mantendo o rádio ligado e ouvindo enquanto fazem outras atividades, estão escutando as notícias.

 

Ainda não há um estudo semelhante feito em terras brazucas. No entanto, uma espiadela nos filhos do vizinho ou, para quem já deu cria, nos seus próprios, não deve revelar um comportamento tão diferente do descrito pela pesquisa. Sinal dos novos tempos. Ai de quem não der uma de Menino Maluquinho e se reinventar.

Mala Direta

No mundo, nada se cria…


Qualquer semelhança entre a logomarca do Pan do Brasil, desenvolvida pelo escritório carioca Dupla Design, e a do Governo do Estado do Pará, criada pela multipremiada Mendes Publicidade, talvez não seja mera coincidência.

 

 

Allorromorra!


A magia da marca Harry Potter realmente tem poder. O ilusionista indiano PC Sorcar Jr., inspirado pelo pequeno bruxo com cara de CDF, vai abrir uma “filial” da fictícia escola de bruxaria de Hogwarts na pomposa Universidade Federal Visva-Bharati, no Leste da Índia.

 

 

Hã, hã…
Segundo Sorcar, “A profissão dos mágicos de rua, que existe há 2 mil anos, sempre foi transmitida oralmente" - disse à Reuters - "Seria uma perda para a magia indiana se essa arte não fosse preservada”.
Não é necessário ter poderes mágicos para concluir que a iniciativa do ilusionista indiano é, digamos, um tanto quanto oportunista. Em tempo: “Allorromorra”, no filme, é o nome do poderoso feitiço que faz abrir coisas difíceis.

Nem a pau, Juvenal.


Se ser o segundo lugar em alguma coisa fosse tão bom quanto diz o novo comercial das sandálias Ipanema com a anatômica garota propaganda e Miss Brasil Natália Guimarães, o podium não teria três níveis diferentes e ganhar uma final contra a Argentina não seria tão prazeroso assim. Com a palavra, o voleibol feminino.

criado por apoena.augusto    1:16 — Arquivado em: Sem categoria

9.7.07

Será o Benedito

Gringos não costumam fazer previsões muito acertadas sobre o que pode acontecer por aqui, em terras brazucas. Compreensível, já que nem nós mesmos conseguimos. No entanto, quando as ondas chegam até lá, é bom ficar de antena ligada, principalmente se o assunto diz respeito a toda-poderosa Rede Globo e sua hegemonia na TV brasileira.

 

Na última sexta-feira, a chamada de capa do Wall Street Journal alfineta: “A batalha das telenovelas, um pastor brasileiro enfrenta a gigante da televisão”, e detalha: “Rede em ascensão abre guerra de salários e tomada de atores”.

 

A Rede Record, comandada pelo pastor da sacolinha Edir Macedo vem, aos poucos e de forma muito inteligente, tentando desvincular sua própria imagem da Igreja Universal. E tem conseguido.

 

Os programas evangélicos foram gradualmente reduzidos, figurinhas globais carimbadas como o apresentador Marcos Hummel e o humorista multifacetado Tom Cavalcante foram contratadas e a qualidade da programação melhorou, assim como o nível das produções próprias.

 

A consistência das ações têm simplesmente ignorado, e corre o sério risco de atropelar, o eterno segundo colocado neste ranking, SBT.
E mais: modéstia não é uma palavra que conste na bíblia da emissora. Para deixar Abravanéis e Marinhos ainda mais preocupados, o novo slogan da Record é nada menos do que um pretensioso “a caminho da liderança”.

 

Ao mercado, isso significou o surgimento de outra boa opção de mídia, razoavelmente mais barata e de bom impacto, que abre as portas da esperança para verbas e anunciantes menores, mas que precisam de resultado tanto quanto os grandes.

 

Em meio a esse chuvisco, bom mesmo seria assistir, ao vivo e em cores e sentado na poltrona, a audiência se equilibrar entre, pelo menos, os quatro primeiros. Isso sim daria Ibope.

Mala Direta

 

É o cara!


O Cristo Redentor emplacou a vaga como uma as novas sete maravilhas do mundo. Com ele, também entram para a seleta galeria Taj Mahal, Machu Pichu, Chichén Itzá, Coliseu, Muralha da China e Petra, na Jordânia.

 

www.salinopolisdaamazonia.com.br
Ainda está incompleto, mas finalmente alguém tomou a iniciativa de construir um portal virtual digno para Salinas. Hotéis, pousadas, restaurantes, galeria de fotos, dentre várias outras atrações (dentre as quais um vídeo de um Mero de 200 Kg pescado por lá) prometem ajudar a incrementar ainda mais o turismo na sétima maravilha do Pará.

 

Palhinha


E por falar em praia, quem tomar um goró a mais, não tiver vergonha e quiser tirar uma pestana no Murubira, em Mosqueiro, não precisa mais se preocupar com a possibilidade de um certo desconforto pela ausência do travesseiro. É só encostar em frente ao Hotel Murubira e, pela bagatela de 60 Reais, comprar um. Se souber negociar, ainda ganha desconto no par de sandálias, que também está à venda no mesmo carro.

Navalha na carne


Por mais quadrada que possa parecer a bola para a nossa atual seleção canarinho, ao menos para a Rede Globo, ela continua redonda. Segundo a Folha, 10 minutos do Jornal Nacional e de Paraíso Tropical foram literalmente cortados, além de tesourar integralmente o humorístico de fazer chorar qualquer um, de raiva, Zorra Total, para exibir Brasil x Chile sábado passado. Só não comenta se alguém notou.

criado por apoena.augusto    1:22 — Arquivado em: Sem categoria

1.7.07

Foi Justus

Tirando o fato de que o programa inteiro tem o formato de uma contínua ação de merchandising, o que é compreensível, mas é sacal feito uma ladainha, Aprendiz 4 – o Sócio, reality show de negócios comandado pelo clone nativo do todo-topete empresário Donald Trump, Roberto Justus, provou que não é necessário usar o critério de ausência neural para selecionar participantes.

 

Composto por candidatos muito bem preparados (e não poderia ser de outro jeito, afinal, como ensina o dito popular, sociedade é como casamento), o programa chamou atenção não só pelo cuidado na produção, o que incluiu o sempre engomado penteado do apresentador, mas também pela inteligência na escolha das tarefas que deveriam ser executadas.

 

Criar estratégias para vender produtos e angariar o máximo de capital possível em tempo recorde; preparar desde o texto até a viabilização comercial de uma peça de teatro, dentre outras missões aparentemente impossíveis, tudo contribuiu para que o programa não só se tornasse financeiramente viável através dos patrocínios e ações de merchandising (foram oito só no último dia, segundo o Controle da Concorrência), mas também, na final, atingisse 14 pontos no Ibope em São Paulo, ficando quase uma hora à frente da tirânica Rede Globo, de acordo com informação divulgada pela assessoria da TV Record.

 

Sem entrar no mérito da técnica delicada como uma bigorna usada por Justus ao demitir um ou outro candidato, o que, acredita-se, faz parte do show, esse excelente resultado não aconteceu somente na decisão, mas se estendeu ao longo de boa parte do programa.

 

Tudo isso serviu para provar que nem só de ver e ouvir abobrinhas vive o telespectador brasileiro desprovido de TV paga, aliás, muito, mas muito bem paga. Basta ver o faturamento anual de cada uma delas. Mas essa é outra história.

Mala Direta

 

Bom pra cachorro


Cartazete pregado em postes da bacana Brás de Aguiar pede, de forma pouco polida, ou seja, sem meias palavras, a quem passeia com seu totó, coisa comum pelas redondezas, que o ponha para expelir o resultado de suas comilanças balanceadas em suas próprias mãos. Botar a mão na merda, pronto.

Adeus donativo
Quem colou o “pedido” nos postes certamente não doará sapatos usados ao Emaús no final do ano.

Morte anunciada


NoMínimo, o site onde sobravam neurônios, morreu por falta de oxigênio financeiro. Sem patrocínio, saiu do ar no dia 29 de junho. Ficamos todos um pouco órfãos de boa leitura na rede ainda livre da internet.

criado por apoena.augusto    23:01 — Arquivado em: Sem categoria

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