22.7.07
666 é o número da besta

Quem trafega pelos ares deste gigante Brasil tende a achar, até com justificáveis motivos diante de fatos tão evidentes quanto sangrentos, que de tempos em tempos, uma nuvem propícia a provocar turbulências que resultam em perdas de vidas, teima em pairar sob o céu, que de brigadeiro não tem nada, da empresa de aviação fundada em Marília, interior do estado de São Paulo, em fevereiro de 1961.
Em setembro de 1982, pouco mais de 21 anos após sua primeira decolagem, um Learjet da TAM recebe informações erradas na aterrissagem em Rio Branco, capital do Acre, e cai matando 10 pessoas.
Apenas dois anos depois, em junho de 1984, um avião Bandeirante da companhia cai em Macaé, no Rio de Janeiro, despachando para a última morada na terra nada menos que 18 pessoas.
Seis anos se passaram com tempo bom e temperatura estável até que, em fevereiro de 1990, um Fokker 27 cai em Bauru, no interior paulista, enquanto fazia a rota São Paulo-Araçatuba, matando três pessoas.
E a cronologia das tragédias não pára por aí. Outros seis anos se passaram até que, em outubro de 96, um Fokker 100 encaminhou aos cuidados de São Pedro nada menos que 99 pessoas, entre passageiros e tripulantes, causando o que seria o segundo maior desastre aéreo brasileiro.
Em julho de 2001, novamente, a nuvenzinha macabra aparece para fechar o tempo, dessa vez em dose dupla. Num acidente de helicóptero, morrem o comandante e fundador da TAM, Rolim Amaro, e sua companheira. Apenas dois meses depois, a despressurização da cabine de outra aeronave da empresa, que fez um pouso forçado no aeroporto de Confins, em Belo Horizonte, causou a morte de uma passageira.
Se forem contabilizadas todas as pessoas que a TAM não levou até seus destinos, aí incluídas as 187 (fora os funcionários da TAM Express) da tragédia do último dia 17 (outros seis anos se passaram desde o último acidente), somam-se 318 passageiros e tripulantes, o equivalente a pouco mais que toda a delegação brasileira feminina no Pan, de 310 atletas.
Mesmo com uma cronologia tão sinistra (dados da Folha de São Paulo), a Transportes Aéreos Marília, segundo a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), segue na liderança do mercado doméstico com 49,11% do fluxo de passageiros transportados por quilômetro e crescimento de 15,2% em relação ao mesmo período do ano passado, disputando turbina a turbina com a novata Gol, que detém 39,83% do mercado e teve expansão de 25,9%.
Felizmente a empresa sempre teve uma postura muito profissional diante das adversidades. Apenas duas horas após a tragédia em Congonhas, por exemplo, já havia sido instalada toda uma estrutura para gerenciamento de crises, os parentes foram levados até São Paulo para acompanhar os trabalhos de resgate e todas as despesas estão sendo custeadas pela companhia. O único gol contra foi a demora na liberação da lista dos passageiros a bordo do vôo.
No entanto, caso as investigações concluam que o problema no vôo JJ 3054 foi decorrente de falha em algum procedimento da empresa, pode-se supor que vai ser coisa de bilhão pra cima o tamanho do rombo na fuselagem da TAM. O primeiro abalo já pode ser sentido na Bolsa.
Mala Direta
Nas asas da tragédia 
A maioria dos corpos ainda nem foram identificados e já há quem esteja em campanha pela desativação de Congonhas.
Por acreditar que o terminal já esgotou o seu ciclo de vida, Mentor Muniz Neto, da Bullet, e Michel Lent, da 10 Minutos, criaram um selinho “CGH NÃO”, com o objetivo de estimular o boicote ao aeroporto. Se alguém vai lhes dar ouvidos (a maioria dos paulistas é contra), só o tempo dirá.
Recall de imagem
O gesto feito por Marco Aurélio Garcia, assessor internacional de Lula, ao assistir à reportagem da TV Globo sobre a denúncia de falha mecânica na aeronave da TAM é obsceno, claro, mas é igual à imagem da garrafa da Coca-Cola: todo mundo sabe o que significa.
Saravá 
Morte do Senador Antônio Carlos Magalhães comove a Bahia. Só a Bahia.


criado por apoena.augusto
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