9.9.07
Gente quer ver gente

Não é de hoje que empresas mais atentas às tendências de mercado procuram para suas campanhas publicitárias pessoas, digamos, fora dos padrões estéticos geralmente impostos pela grande mídia. Ou pelos chamados formadores de opinião e de moda, como o leitor preferir. Pessoas normais, se bem que de perto ninguém é assim, para não deixar dúvidas.
Talvez seja porque o consumidor médio seja lá do que for já tenha se convencido que seu "telhado" jamais ficará como o da mulher de traços europeus, pele leitosa e cabelos de boneca metida a besta, que se movem sedosamente ao sabor do vento como num comercial de xampu.
Na prática, o cenário que se desenha mostra a queda por terra do princípio da idealização do ser que a propaganda de outrora tanto explorava.
OMO, o primeiro detergente em pó fabricado no Brasil, quando colocou no ar gente com cara de dona-de-casa de verdade dando depoimentos sobre os resultados obtidos após o uso do produto, entre outras coisas, gerou espuma, muita espuma branca, em torno do assunto.
Dentre as mais lembradas, ainda nesta linha e também da gigante anglo-holandesa Unilever, está a campanha da real beleza para Dove, onde pessoas com excesso de dobrinhas, magras, altas, enfim, representantes de boa parte da diversidade étnica brazuca dão um toque de realismo às peças e aproximam o produto do seu público-alvo: as mulheres que, vira e mexe, topamos na rua.
E não é só no segmento de higiene e beleza ou cuidados com o lar que as “pessoas de verdade” estão tomando o lugar dos profissionais, atores e atrizes principalmente, que pulam de novelas para comerciais de tudo que se imagina, onde engordam suas contas bancárias. Fiat no Brasil e Ford no Tio Sam também apostaram na idéia, cada uma a seu jeito.
A grande diferença entre ambas está no fato da Ford, cujo ano de 2006 viu passar pelo retrovisor 12% do seu resultado em relação ao ano anterior, resolveu ceder automóveis da marca para proprietários de veículos concorrentes fazerem test drive por uma semana. A gentileza vinha em troca de um depoimento espontâneo sobre as impressões a respeito do carro que, só depois, o incauto descobriria que serviriam para compor a campanha publicitária da montadora. Tudo devidamente autorizado, claro. No caso da Fiat, todos sabiam do que se tratava.
Pelo jeito, este tipo de abordagem tem dado bons frutos. OMO e Dove continuam líderes de mercado em seus segmentos. Fiat, há tempos, faz a Volkswagen comer poeira. É esperar pra ver se o mesmo acontecerá com a Ford americana.
Mala Direta
Fumacê, tô fora!
No final de Agosto, uma passeata anti-tabagista percorreu as ruas de Belém até a Praça da República, onde trocou cigarros por doces.
Cancerigenamente correto

Enquanto isso, na contramão do movimento, um banner anunciava na porta do Arthur Café, na Pe. Eutíquio, a promoção do dia: na compra de um “completo”, ou seja, a velha dobradinha pão & café, o cliente levava, inteiramente grátis, um cigarro. Não à toa o material de divulgação era em tom preto fumacento. Deve ser porque já pôs luto.
Marketing best

Perto dali, com mãos ligeiras como de um batedor de carteira, um panfleteiro distribuia os folhetos da multimídia vidente-espírita-cartomante Mãe Delamare que, muito antenada com as tendências do mercado, tratou de incluir novos chamarizes promocionais no seu farto material de divulgação: passes grátis toda sexta-feira. Saravá!
Questão de tempo

Enquanto uns choram, outros vendem lenços. Luciano Pavarotti foi-se, fará falta, mas a vida continua. logo, logo as lojas devem ganhar uma enxurrada de coletâneas, vídeos, participações especiais e toda sorte de coisas que o mercado fonográfico puder lançar para faturar em cima do mais novo morto-celebridade. É só esperar.


criado por apoena.augusto
19:29 — Arquivado em:
Comentário por D.A — 10.9.07 @ 13:24
Que tal uma mulher que estava fumando na hora da passeata contra o tabagismo na Inlgaterra?
Imagens no site-> http://cuca-fundida.blogspot.com/2007_06_01_archive.html
Correção: a Passeata não foi semana passada, e sim dia 29. Agosto 2007 -
Comentário por Apoena Augusto — 10.9.07 @ 16:26
Essa é do contra mesmo!
Farei a correção da data. Valeu!
Comentário por Delyse — 11.9.07 @ 20:30
Ta na hora de parar de vender “barbies”, afinal a grande massa é composta de pessoas “comuns” que vivem experiências cotidianas. As empresas estão buscando aproximação e identificação com essas pessoas, afinal nem todo mundo é Gisele.
Comentário por Delyse Braun — 11.9.07 @ 20:35
Cá para nos, vamos emprestar umas apostilas para a Mãe Delamare. Porque desse jeito, nem sendo mãe de santo ajuda.
Comentário por Apoena Augusto — 11.9.07 @ 21:38
Não fala mal da Mãe Delamare! Vai que ela resolve jogar as cartas meio “tortas” para você!
E tem mais: você bem deve lembrar dos “santinhos” das “concorrentes” dela, tipo Mãe Jurema e cia. Além de cheios de erros de português, não têm promoção nenhuma. É aquele negócio: ruim por ruim, voto na Mãe Delamare! Vai que ela ainda dá um brinde, um chaveirinho, quem sabe, ao final da consulta!
Comentário por Delyse Braun — 15.9.07 @ 3:53
É verdade, não vou falar da Mãe Delamare, pois além do chaveirinho ela pode me dar uma cartinha da sorte premiada. rs
Sobre o Arthur Café, achei a promoção um pouco sinistra, por outro lado, deve ter gerado impacto. Não posso negar que a iniciativa foi muito boa.